domingo, 25 de setembro de 2016

Radar - Parte 5

Capítulo 8 - Treinar pra quê?

  Um mês nunca demorou tanto pra passar... um mês de volta aos gatos gordos nos topos das árvores, como tem sido nos últimos anos, até poder enfim fazer parte de algo importante. Quem sabe eu ajudo a salvar o mundo... Ha, bela piada. É mais provável que eu morra no meio disso. Mas não antes de tentar matar o velho. Se eu morrer pelas mãos de um dos "soldados", não mereço a capa que visto. Na verdade, nunca a mereci, mas isso é um detalhe. Eu vou encontrar esse velho, saber qual é a desse filho da puta. Só me ferrou, esse coroa. Vou me vingar, nem que seja só um pouquinho. E.. olha só, o tal mÊs já passou, e eu estou atrasado. Preciso chegar logo na prefeitura. Ih, olha lá.. a turma toda. O ruivo, o ninja, a bonitinha, o prefeito, um outro cara que eu não conheço... e a Julie. Não nos encontramos mais depois daquele dia na fábrica, e, aparentemente, eu estava certo. Estava certo sobre estar errado. Era só uma jogada, pra me fazer colaborar. Ah, dane-se. O que é um peido, pra quem já tá todo borrado, não? O cara que eu não conheço já veio apertando minha mão, e se apresentando. Agente Harris, o nome dele. Legal, um agente secreto, tipo James Bond, trabalhando comigo. Ou talvez até para mim. Bom... não. Ao que parece, eu vou trabalhar pra ele. Merda. Fui com o Bond de araque até uma outra sala, onde ele me explicou exatamente o que havia acontecido e o que estava para acontecer, e deixamos os outros fazendo sabe-se lá o quê. "Radar, meu bom homem... creio que Sonífera já o tenha informado da situação, mas não há mal nenhum em reforçar, e acrescentar certas coisas. Terríveis, crimes terríveis nesta cidade... e a mente por trás de tudo isso? Acreditamos que seja seu mentor, Boris. E é por isso que você está aqui. Você o conhece, conviveu com ele durante anos, pode nos fornecer preciosas informações..." Dizia o homem, já na outra sala. Devia ter um vazamento em algum lugar, porque havia uma poça enorme na porta. Talvez o prefeito deva investir mais em sua própria limpeza. "... Sabemos também de sua ligação com uma de nossas melhores funcionárias, e instrutora, Sonífera, e, sem querer ofender, foi mais fácil do que imaginávamos, te convencer a trabalhar conosco". Harris riu e deu um tapinha nas minhas costas. Ele me chamou de idiota e logo depois agiu como se fôssemos amigos? Fui para o País das Maravilhas, e esqueceram de me avisar. Ou eu só bebi demais, não sei. Mas, se isso foi uma tentativa de me deixar mais "acostumado" com isso tudo, me chamar de idiota não foi uma boa. "Bom, vamos ao que interessa, por hoje. Queremos que você se torne um instrutor, junto com sua velha amiga. Temos mais alguns jovens que precisam de... disciplina. E, você, com toda sua experiência..." O cara tá me zoando de novo, só po... Merda, fui atingido, não sei porque. Só sei que a pancada no chão doeu. Me levantei com certa dificuldade, e olhei pra trás. Tinha um cara caído, com um pé na sua cabeça, chutando. Que merda era aquilo? Aquela menina loira bonitinha, a Christie, batendo no cara. Mas... como ela entrou aqui? Ah, claro, a poça. Como sou idiota... Harris olhava a cena igualmente surpreso. "Tem certeza de que vocês precisam da minha ajuda?", perguntei.

Capítulo 9 - Babá Bem Babaca
 
  É, eu preciso treinar os pirralhos, no fim das contas. Pelo menos, "eu sou o melhor pra função", segundo o Bond Fake. E quem sou eu pra discordar dum cara que (talvez) tenha licença pra matar? E, além disso, não é todo dia que eu sou "o melhor" pra fazer algo. Então, vou ficar quietinho e aceitar a parada. Vocês conhecem o "Instituto Xavier", dos quadrinhos dos X-Men? Então.. meu trabalho é dar conta da versão "escola pública" dele. Onde eu fui me meter? Eu não sirvo pra ser babá (Babaca talvez, mas babá não). Insuportável, aquele bando de adolescentes, com os hormônios explodindo. As meninas todas se derretendo pelo "bonitinho da turma" e os moleques pensando menos com a cabeça de cima e mais com a de baixo. Mas até que existiam uns menos insuportáveis ali. O ninja, o ruivo e a gostosinha, por exemplo. Boas crianças, boas crianças. Não à toa, são a equipe da Julie. Um outro, um moleque grandalhão que vivia repetindo "destruir, destruir", também tinha lá seu "charme". No fundo, bem no fundo. Precisava de alguns pequenos cuidados, às vezes. Até aprendi a gostar de alguns outros, depois de um mês dividindo a moradia com eles, num prédio gigantesco na cidade vizinha à minha. Claro, eu não podia deixar "meu povo" desprotegido. Ainda mais com o velho alucinado à solta. Polícia reforçada, alguns soldados do exército... tava bonito, o negócio. (Certa noite, levei alguns de meus alunos pra me ajudarem num chamado que não consegui evitar, mas, por favor, peço que não contem nada, ok?). Infelizmente, todo esse reforço não ajudou muita coisa e duas outras meninas foram mortas, de formas horrendas. Queria partir pra ação logo, mas, sem informações do paradeiro do velho, vai ser difícil. Vou ter que esperar o serviço secreto adiantar esse lado. Merda. Até quando vou ficar aqui nesse lugar brincando de cuidar dessa pirralhada toda?

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