"A-Alice?"
"Sim, moleque. Alice. É um nome novo pra você?" Nem um
pouco, sapo. Sabe, até 5 minutos atrás você era meu maior ídolo...
Agora, você já tá querendo me foder. Sem duplo sentido. "Alice
Carlinbrook. A menininha gênia da TV. Foi o que acabei de dizer.
Você é surdo?" Infelizmente, pelo menos nesse momento, não.
"É.. Ãh.. Eu conheço. Eu conheço... Essa menina, Alice"
"Ótimo. Você vai me ajudar nessa. O garoto é confiável,
Harris?" Quem é Harr.. Ok, é ScarMan. O rosto vermelho de
raiva denunciou. E apesar disso, ele respondeu. Que sim, 'o garoto',
no caso, eu, de fato é confiável. Eu podia ter agradecido... Mas
não. Não sei se o velho foi sincero ou só queria ver o sapo longe
dali o mais rápido possível. Regras rígidas sobre identidades,
regras muito rígidas. Até hoje, ninguém por aqui sabe meu nome.
Tampouco tenho um codinome. Sou só... "Garoto". Que merda.
"Excelente, excelente... Você vai me ajudar, né, moleque?".
Agora, pensando melhor, acho que "moleque" é um pouco
pior. Sacudi a cabeça afirmativamente, claro. Que escolha eu tinha?
"Então, anda, levante-se, temos trabalho a fazer" Mas,
Mas.. Mas já?! Oops, talvez isso tenha escapado em voz alta. "Você
realmente acha que eu sou o único que tá correndo atrás dessa
menina? Claro que não! Tem mais gente nova na cidade. E gente pior,
muito pior que eu". Pior do que, apesar de ser um cara que eu
idolatro, um sapo? É que tipo de gente, então?... Jacarés? Graças
a Odin, essa parte não escapou em voz alta. Assenti mais uma vez e
segui FrogMan até a saída da ca.. Do local de reuniões. "Tô
na casa dum camarada, a duas quadras daqui. Vambora, aproveitar que a
rua tá vazia". Mesmo com a rua vazia, FrogMan colocou seu capuz
novamente e caminhava a largos e rápidos passos. Foi difícil
acompanhar. Chegamos num prediozinho velho e subimos até o terceiro
andar. "O cara foi passar o fim de semana num lugar qualquer com
a família, tô sozinho por 3 dias. O ideal é agirmos antes disso.
Tenho outras pessoas pra buscar, mas preciso levar a garota. Essa
garota, eu preciso. Mas precisamos de um plano. E aí, sugestões?"
"Uh.." "Como eu esperava. Então, há quanto tempo
você a conhece? Vocês são amigos? Houve alguma mudança de
comportamento recente por parte dela? Você notou alguém diferente
se aproximando? Ela confia em você?" E tudo que existia na
minha cabeça era "Uh". Eu não fazia ideia de como
responder essas perguntas. E pior: Eu não tinha a menor certeza se
estaria ajudando Alice, trazendo ela pra companhia de FrogMan. Heróis
são um pouco obcecados demais.
Ouço vozes. Não enxergo nada. Sinto alguém dando tapas em meu rosto. Mas quem será o filho da p... "... Ele acordou, vá avisar ao Harris. O velho ficou preocupado.. Cê tá bem, garoto?" Fora a puta dor de cabeça, beleza. Abri os olhos e Radar estava lá, esticando o braço para me ajudar a levantar. Não, eu não tava no chão. Me levaram prum quarto. Mas, é, eu desmaiei. Será que foi a loirinha que tá saindo agora, que tava tentando me acordar? Bem... Legal, ela. Bem legal. "O que foi, ficou mudo agora?" "Ãh... Tô.. Tô legal. É... Eu não comi direito, acho". Na verdade, só havia tomado o café da manhã... Isso dá umas.. 16 horas sem comer. É, não foi legal. "Vê se isso aí ajuda". Uma barra de cereal. Dezesseis horas sem comer e tudo o que me oferecem é uma barrinha de cereal. Ok. Vai isso mesmo. "Valeu". "Tô sempre com uma no bolso. Se precisar..." Ah, é, claro. Se eu tomar um tiro, com certeza gritarei "RADAR, POR FAVOR! UMA BARRINHA! ME AJUDA!". Imbecil. "Então, garoto, você vai ajudar a gente ou não?" Putz, eu quase esqueci. A menina nova na cidade, que é mutan... CARALHO! CARALHO! MUTANTE! A ALICE! PUTA MERDA! Quase desmaiei de novo, mas dessa vez seria por ter prendido demais a respiração. Me segurei mesmo, pra não gritar. É foda descobrir do nada que a "crânio" da escola é mutante, do nada. E que você passou horas ao lado dela, falando sobre química, sem nem desconfiar de nada. Vai ver nem ela sabe. Vai ver ela pensa que é só uma garota inteligente. Quando ela descobrir que é Super Inteligente... Fodeu. A pouca humildade que resta nela vai embora. Enfim, foda-se isso, por agora. Aliás, tô cagando pra humildade dela. Mesmo ela pertencendo a um grupo de seres superiores. Por quê eu fui nascer normal?! "É.. Hum.. Claro, claro que vou". É óbvio que só vou ajudar pela possibilidade de entrar na equipe depois, se fizer um bom trabalho. Mesmo que eu morra na página 17 da primeira edição dos quadrinhos. Pode ser que eu volte no reboot, sei lá. Eu espero. Radar sorriu. E eu sinceramente espero nunca mais ver esse sorriso de novo. É simplesmente assustador. "Boa, xará. Agora vá descansar um pouco. Amanhã nós vamos te levar lá pro QG" "Mas.. Mas.. Minha casa.. Minhas coisas.." "A gente dá um jeito". Ok, isso eu posso aceitar. Eles são mutantes fodões, afinal. Não duvido que tenha um cara que, sei lá, modifique as mentes das pessoas. Só apagar minha existência das mentes dos meus pais, sei lá. Mas.. "E a Al.. A menina? Achei que iríamos logo atrás dela" "Sem treino? Claro que não! Moleque, agora você é um dos nossos. Segue nossas regras. Voltaremos ao QG, treinaremos você e aí sim, faremos um plano pra trazer a garota pro nosso lado. Fica tranquilo, carinha. Nada vai acontecer com ela". Tem certeza, Radar? Tem certeza?
Ouço vozes. Não enxergo nada. Sinto alguém dando tapas em meu rosto. Mas quem será o filho da p... "... Ele acordou, vá avisar ao Harris. O velho ficou preocupado.. Cê tá bem, garoto?" Fora a puta dor de cabeça, beleza. Abri os olhos e Radar estava lá, esticando o braço para me ajudar a levantar. Não, eu não tava no chão. Me levaram prum quarto. Mas, é, eu desmaiei. Será que foi a loirinha que tá saindo agora, que tava tentando me acordar? Bem... Legal, ela. Bem legal. "O que foi, ficou mudo agora?" "Ãh... Tô.. Tô legal. É... Eu não comi direito, acho". Na verdade, só havia tomado o café da manhã... Isso dá umas.. 16 horas sem comer. É, não foi legal. "Vê se isso aí ajuda". Uma barra de cereal. Dezesseis horas sem comer e tudo o que me oferecem é uma barrinha de cereal. Ok. Vai isso mesmo. "Valeu". "Tô sempre com uma no bolso. Se precisar..." Ah, é, claro. Se eu tomar um tiro, com certeza gritarei "RADAR, POR FAVOR! UMA BARRINHA! ME AJUDA!". Imbecil. "Então, garoto, você vai ajudar a gente ou não?" Putz, eu quase esqueci. A menina nova na cidade, que é mutan... CARALHO! CARALHO! MUTANTE! A ALICE! PUTA MERDA! Quase desmaiei de novo, mas dessa vez seria por ter prendido demais a respiração. Me segurei mesmo, pra não gritar. É foda descobrir do nada que a "crânio" da escola é mutante, do nada. E que você passou horas ao lado dela, falando sobre química, sem nem desconfiar de nada. Vai ver nem ela sabe. Vai ver ela pensa que é só uma garota inteligente. Quando ela descobrir que é Super Inteligente... Fodeu. A pouca humildade que resta nela vai embora. Enfim, foda-se isso, por agora. Aliás, tô cagando pra humildade dela. Mesmo ela pertencendo a um grupo de seres superiores. Por quê eu fui nascer normal?! "É.. Hum.. Claro, claro que vou". É óbvio que só vou ajudar pela possibilidade de entrar na equipe depois, se fizer um bom trabalho. Mesmo que eu morra na página 17 da primeira edição dos quadrinhos. Pode ser que eu volte no reboot, sei lá. Eu espero. Radar sorriu. E eu sinceramente espero nunca mais ver esse sorriso de novo. É simplesmente assustador. "Boa, xará. Agora vá descansar um pouco. Amanhã nós vamos te levar lá pro QG" "Mas.. Mas.. Minha casa.. Minhas coisas.." "A gente dá um jeito". Ok, isso eu posso aceitar. Eles são mutantes fodões, afinal. Não duvido que tenha um cara que, sei lá, modifique as mentes das pessoas. Só apagar minha existência das mentes dos meus pais, sei lá. Mas.. "E a Al.. A menina? Achei que iríamos logo atrás dela" "Sem treino? Claro que não! Moleque, agora você é um dos nossos. Segue nossas regras. Voltaremos ao QG, treinaremos você e aí sim, faremos um plano pra trazer a garota pro nosso lado. Fica tranquilo, carinha. Nada vai acontecer com ela". Tem certeza, Radar? Tem certeza?
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