domingo, 25 de setembro de 2016

A Máfia Não Tem Graça - Parte 2

  Tá tudo escuro, e eu não consigo respirar direito. Merda, tô com um saco na cabeça, lógico. Malditos. Sinto que vou desmaiar, tô ficando (mais) tonto... Ufa, tiraram o saco da minha cabeça. Mas continuo sem enxergar direito. Claro, tá de noite, e a cidade tá deserta. Se é que ainda estamos na cidade. Risadinhas. Odeio risadinhas. Odeio ainda mais quando eu estou preso, incapaz de me defender, e falam em morte. "O quê?! Não, pera, pra onde vocês tão me levando?" Perguntei. Logo em seguida, um dos caras acendeu uma lanterna na minha cara. Filho da puta. Pelo pouco que eu conseguia enxergar, ele estava com uma máscara. O cara do outro lado também. E os caras da frente. Outra coisa que odeio são caras mascarados. Ah, se odeio. Bom, pelo menos não são máscaras de palhaço. "Calma, carinha, relaxa aí.. Cê vai gostar", falou um deles, o que tava com a lanterna. Foi o que acho que ouvi, não sei, a máscara abafa o som da voz. E também eu achei que contar que o cara falou isso seria legal. Eu gosto dessas "ironias", eu gosto. Só não gosto de cachorros. Eu ri. Eu tive que rir. Um cara dizendo que vou gostar de, sei lá, perder meu pinto pra faca gigantesca dum gângster malvado com uma cicatriz horrorosa na cara mais horrorosa ainda, é pra rir. Rir pra não chorar. O lanterninha e os outros começaram a rir junto. Agora eu tava realmente fodido. Tão fodido que me sufocaram de novo. "Calma aí, cara, já vamos chegar", o carinha do outro lado do lanterninha disse antes de quase me matar asfixiado de novo. Desmaiei. Já era manhã. E eu estava com fome, muita fome. E os mascarados.. Continuavam de máscaras. Filhos das putas. Voltei a respirar. E o cara sentado no banco do carona estava virado pra mim, com um sanduíche. "Solta o Phil, Ca.. marada". Me chamando de Phil. Haha, já saquei. O jogo do "bandido chato, bandido bozinho", ou algo assim, sei lá. Mas eu não poda recusar. Tava com fome, caramba. "Estamos quase chegando, acabamos de entrar na cidade." Legal, na minha primeira viagem pra fora da cidade, vou morrer. Legal, muito legal. "Acho que vamos apagá-lo outra vez" "O saco de novo?" "Não, o sanduíche". Filhos das p... Acordei de novo, ainda no carro. Mas, espera, tem algo diferente. Minha roupa, tá diferente.. Mas que merda é essa?! Como eu fiquei com a roupa do Superman? Odeio o Superman. E os mascarados ainda mascarados. E também roupas coloridas. Batman, Wolverine, Ciclope.. O motorista virou pra trás e tirou a máscara. Kevin, meu irmão mais velho. Do lado dele, Rick, um amigo dele, também tirou a máscara. Ah! O cara da lanterna é um dos meus melhores amigos, Steve. O outro, Carl. Filho da puta, quase me matou. "QUE PORRA É ESSA?!?!" "Hey, Hey, pára de gritar aí, amiguinho.. Vamos te explicar. Aliás, não é óbvio?", começou a dizer Carl. E, realmente, era óbvio. "C-Comic Con?" "Sim, cara, estamos em San Diego!". E esse foi o presente mais irado que um Nerdzinho que havia acabado de completar 18 anos poderia receber. Está bem, segundo melhor. Mas a Comic Con daquele ano nunca irei esquecer. Principalmente pela armação daqueles retardados. Mas, o que eu estou prestes a viver, duvido que seja bom. Não vai ser nada bom. Nada com 2 revólveres apontados para a sua cabeça é.

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