domingo, 25 de setembro de 2016

Nunca teve um nome. Continuará a não ter - Parte 9

Um carro de polícia levava Roxanne, eu e Buchanan até a casa dele na França. Tinha grana, o filho da puta. E era policial, vai entender.. Lá chegando, logo fomos para a sala de estar. Foi muito estranho, estar na sala da casa de um homem que me caçou por anos, falando com ele sem precisar atirar. Embora eu estivesse com vontade. E, dava pra ver, que ele também. "Eu sei, devo explicações para os dois", Roxanne começou a dizer. "Então, deixem-me falar. Steve, esse homem, Buchanan, é também um imortal, como eu. Ele descobriu a mim e meus companheiros há cerca de 200 anos, e, desde então, vem procurando pistas de nosso paradeiro. Eis que nos encontrou, um século atrás. Exatamente um século atrás, no meio da Primeira Guerra Mundial, onde estávamos lutando. Ele, claro, do lado oposto. O nosso lado ganhou a guerra, mas, isso agora não importa mais. O que quero dizer, é que, sim, ele é imortal, mas nem sempre foi. Até aquele momento, ele apenas havia conseguido prolongar sua vida com o auxílio da alquimia. Até o fim da guerra, onde nos encontramos. Ele ainda não me conhecia, nem eu a ele, então, passamos a nos encontrar, em segredo. Sou a mais jovem do meu grupo, e ainda queria certa liberdade, minha mente ainda era um tanto infantil, por favor, compreenda. E.. nos apaixonamos. Buchanan foi o meu segundo amor, depois de Drácula. Até que me magoou profundamente, alguns anos depois. Encontrou uma mortal, e me largou. Dali em diante, o condenei à vida eterna, e ao sofrimento. Ele não pode mais gerar crias" Buchanan ouvia aquela história calado, aparentemente calmo. Eu, não estava entendendo merda nenhuma, como sempre. "Fizemos um trato, recentemente. Buchanan nos ajudaria, E eu.. retiraria sua maldição. Não é isso, Henry?" O homem assentiu. Até que comecei a sentir certa simpatia pelo cara que tentou por anos me matar. Não deve ser fácil viver por tantos anos, sem poder fazer parte do evento que é a criação de outra vida. Também sempre quis ter um molequinho pra criar, e colocar num caminho melhor do que o que eu segui. "Nichols, eu lhe devo desculpas. Não só por você ser o cara que pode ajudar a acabar com minha maldição, mas por ter te caçado por todos esses anos sem necessidade. Nunca precisei de nada daquilo. Apenas quis criar algum propósito para esta minha vida, e vi que você não é tão ruim quanto parece. Você é apenas um homem bom que fez as escolhas erradas". Me obriguei a dar um breve sorriso, naquele momento. Henry Buchanan era um cara legal. Roxanne se levantou. "Henry, Steve.. precisamos ir". "Para onde?", eu perguntei. "Buscar a última peça do quebra cabeças, Steve. A alma de alguém com puro coração". O quê?! Matar alguém? "Sim, Steve. Infelizmente... Devemos matar alguém. E esse alguém, é você". Mas, naquele momento, não foi Roxanne nem Buchanan que falou. Andretti adentrou a sala, em forma de morcego, depois materializou-se em cima do tapete da sala. Não tive outra reação que não correr. Mas não adiantou muita coisa. Três outros vampirões bloqueavam a porta. Merda, bosta, cacete. Não, esses não eram os nomes deles. E agora, o que fazer? Não tinha saída, Andretti me encarava ameaçador mostrando os dentões feios, Buchanan, maldito traidor filho duma vaca, apontava o revólver na direção do meu rosto e Roxanne... Roxanne chorava, se debatendo enquanto estava segurada por Daniel Grimes. Claro, a pistola. A pistola que mata todo mundo. Ainda tá no meu bolso. Se eu tiver balas suficientes... Arranquei a pistola do bolso, fechei os olhos, e atirei sem mira alguma, claro. Seis, sete tiros. Tinha muita bala, graças a Deus. Fez-se um silêncio ensurdecedor, e abri os olhos. Os três vampirões tinham virado pó. Buchanan, idem. Daniel se contorcia no chão, enquanto Roxanne tirava algo do bolso ao mesmo tempo em que corria até Andretti, que estava de costas para ela. Vi o que ela carregava. Uma faca esquisita, de duas pontas. Nunca tinha visto nada parecido com aquilo. Ela enfiou nas costas do vampiro. Em dois segundos, Andretti virou pó. Mas tinha algo errado. Roxanne sangrava, e começava a tombar para o chão. Daniel havia arremessado uma pequena faca nas costas dela. Filho da puta. Ainda me restava uma bala. Fui até o imbecil, que ainda estava se levantando, e atirei, em seu olho esquerdo. "Veadinho". Corri até a mulher, e peguei-a nos braços. Ela resmungava, fraca "Eu.. agora... sou mortal. Andretti se foi... estou... morrendo" "Você não vai morrer, Roxanne. Vou te levar a um hospital, imediatamente. Fique calma, você não vai morrer" A verdade era que EU não estava nem um pouco calmo, e estava pedindo calma a ela. Idiota. Corri com Roxanne nos braços até o lado de fora da casa, onde, por sorte, passava um carro, na hora. O motorista parou, entramos no automóvel, e seguimos até o hospital.

Nenhum comentário:

Postar um comentário