domingo, 25 de setembro de 2016

A Máfia Não Tem Graça - Parte 1

"O quê?! Não, pera, pra onde vocês tão me levando?!" Perguntei. Logo em seguida, um dos... Ah, perdão. Acho que me adiantei um pouquinho demais, né? Ãh.. Vou começar pelo meu.. É, isso, Phillip, é meu nome. Sim, sou eu, Phillip. Você deve me conhe.. Não, acho que não. Acabei de ser criado, oras. Apenas existo na cabeça do escritor. Ainda. Ou talvez nem isso. É, nem isso. Ainda. E eu sou.. um autor. É, de livros, essas coisas. Eu sei, eu sei, um personagem principal que é um autor, bláblá.. Não é muito original. É que esse autor tem um leve probleminha de falta de criatividade, perdoe-o. Brincadeira, brincadeira, o cara até que não é tão ruim, é esforçado, o garoto. Mas eu tenho que dizer, sou um personagem fraco. Fraco mesmo, magrelo, e tal. Míope. Meio barbudo. Feio, esquisitão. O que chamam de "Nerd". Mas tudo bem. Volto a dizer, perdoem o autor. Eu perdôo. Tenho 3 livros publicados, nenhum fez sucesso, rendeu filmes – grande significado de “sucesso”, hoje em dia, aparentemente -, nada. Nem críticos me chamando de "pior autor de todos os tempos" ou coisa parecida. Não ganhei dinheiro nenhum. Nem a minha editora, que por sorte (ou não), é a minha editora. Sou rico, me desculpem. Também faço roteiros pra tv, comédias de quinta categoria exibidas em pequenas emissoras. Ninguém vê. Quando a audiência chega a 1%, é uma festa. Pelo menos, eu recebo dinheiro. Eu menti, a editora não é minha. É de meu irmão mais velho, que me demitiu após os 3 fracassos. Se não fosse meu irmão, o chamaria de filho da puta. Se bem que ele pode ser adotado. Ou talvez eu possa. Kevin Filho da puta. Me perdoem, me perdoem. Não tenho mulher, filho (graças a Deus), carro. E nem casa. Um quartinho alugado no centro da cidade é tudo o que eu tenho e preciso. Mas, então, qual a razão de meu querido criador tê-lo trazido até aqui, afinal? Vou lhe dizer. Como eu disse há pouco, sou roteirista de um programete calhorda de humor. Humor na tv é baseado em crítica, sátira de figuras públicas. Logo, comecei a zoar todo mundo. Governantes, emissoras rivais, a própria emissora para a qual trabalho... Ninguém viu, ninguém processou. Ninguém vê o meu programa. O problema veio mesmo quando eu comecei a tocar em assuntos mais "cascudos", como o crime. Criminosos internacionais, atos violentos de grande repercussão... Alguém viu. Alguém começou a enviar cartas anônimas para meu pequeno apartamento. "Vou matá-lo", "Arrancar suas tripas", e todas aquelas frases clichês de ameaçadores anônimos que fazem você se borrar nas calças. Pelo menos, fazem as pessoas covardes como eu se cagarem nas calças. Literalmente. Logo em seguida, comecei a exagerar um pouco nesse aspecto. Não, não estou falando de cagar nas calças. Deixei as piadas cada vez mais pesadas, agressivas, e menos engraçadas. Cutuquei a onça com vara curta. E tenho que lhes dizer, que merda que eu fiz. Recebi outra carta. "Você passou dos limites, vou pegá-lo". Toc, toc, toc. 3 batidas na porta. 00:25 de uma madrugada de domingo. Nem que eu estivesse esperando alguém. Toc. Mais uma batida, e total silêncio. Puta que pariu, arrombaram a porta, e em segundos, já não vejo mais nada.

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