domingo, 25 de setembro de 2016

A Máfia Não Tem Graça - Parte 3

  Sério, não é uma sensação legal, a de uma arma apontada pra sua cabeça. Muito menos duas. Esses caras não estão de brincadeira. Bem que eu queria, mas não estão. Ou talvez as armas sejam de brinquedo, ainda há esperança. "Tu que é o cara das piadinhas, né?!", um perguntou. Ótimo. São todos burros. Alguém com o mínimo de inteligência se lembraria do meu rosto. Não por ter a ver com tv, nem nada disso. Mas por eu ser feio. Feios são incomuns, fáceis de serem lembrados. Acenei meio tremido, como se estivesse com medo. E estou com medo, pra caralho. "Certo, então é tu mesmo que meu chefe quer ver.." Pensei em perguntar quem é o chefe deles, mas, como eu com absoluta certeza receberei um "não é da sua conta" como resposta, preferi esperar. E então chegamos. Bem rápido, até. Meia horinha, papum. Fábrica abandonada. É sempre uma fábrica abandonada. A falta de originalidade reina aqui. E que por favor não tenha nenhuma "máquina cortante", não quero perder minhas bolas. Fui arrastado para dentro do prédio por um dos mascarados, um grandalhão com cara de mau. Sei lá, ele é grandalhão, bandido, voz raivosa.. Deve ter cara de mau. O babaca me jogou no chão de uma sala qualquer. Tudo escuro, não dá pra enxergar absolutamente nada. Eu odeio quando tá escuro assim e do nada.. FILHO DA PUTA! Tô temporariamente cego, acenderam as luzes de repente. Risadas ecoando nas paredes. É uma sala grande.. E o dono das risadas também. É, ele tem risada de gordo. Sabe, tipo o Papai Noel, só que meio sarcástico. E acabou que acertei. Um cara gordo, mas muito gordo mesmo, enorme. Cabelos brancos, sorrisinho sarcástico e um charuto cubano. Ah, e o terno italiano. Don Papai Noel. "Phil, olá. Sente aqui, meu jovem". E então eu notei uma mesa de escritório no centro daquele galpão imundo e mal cheiroso. Sério, alguém passou muito mal aqui, só pode ser. Não tive outra escolha senão levantar do chão e me sentar à frente do Corleone. "Você não sabe quem eu sou, mas eu tive que te chamar aqui..." Mas é claro que sei quem é você, gordão. O grande chefe da Máfia Italiana, assassino brutal, e principal alvo das minhas piadas, Top 5 dos procurados pela Interpol, é claro que sei quem é você, Luigi. "... Porque não estou satisfeito com o que andam falando de mim neste país, meu jovem. E as evidências indicam que isso tudo é culpa sua" Pronto, arma na cabeça de novo? Faca no pescoço? Choque elétrico? Bastão de Beisebol? Caralho, vão cortar meu pinto! "Dito isto, gostaria de propor um acordo, Phil. Não cite mais meu nome em seu programinha  e receberá 30 milhões de dólares" "Não". E ele começou a rir, de forma assustadora. Se levantou e derrubou o copo com um tapa. É, havia um copo. Whisky. Mas eu não bebo. "COMO OUSA RECUSAR 30 MILHÕES DE DÓLARES, RAPAZ?!" E aí foi a minha vez de rir. "30 milhões eu tenho quando eu quiser, gordão" E é verdade. Acontece que minha família é rica, mesmo. Tá certo que me neguei a ter qualquer envolvimento com a parte rica da família e moro num apartamentinho mequetrefe, mas ele não precisa saber disso. E com certeza os capangas burraldos não disseram a ele onde me encontraram. Não sabem pronunciar "mequetrefe". Aí eu tomei um socão do gordão. Devo dizer que doeu. Bastante. E então Luigi pegou o seu celular. Isso nunca é um bom sinal. "Descubram onde a família do rapaz mora e os tragam aqui. Todos. A mãe, o pai, o irmão... A namorada. Vivos ou mortos". Não sei se é possível lembrar, mas eu já disse que não tenho mulher, namorada, nem nada. Mas já tive. A única, e a mulher mais incrível que já conheci. Só sei que, se esse velho tentar encostar nela, ele tá fodido.

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