domingo, 25 de setembro de 2016

A Máfia Não Tem Graça - Parte 4

  Eu avisei. Ginny, minha primeira (E última. Ou seja, única) namorada, desceu o sarrafo nos capangas e fez o velho italiano desmaiar. Dei sorte dela ser faixa preta numa arte marcial qualquer aí, que eu esqueci o nome. Ãh.. Vamos chamá-la de ninja. "Que merda é essa, Phillip?! 3 brutamontes invadindo a minha casa, começam a falar de você, me pegaram a força, tive que deixar.." Não fala do marido, não fala do marido.. ".. Meu marido e minha filha em casa, sabe-se lá o que está acontecendo com eles.." Vaca. Mas, tudo bem, eu entendo a preocupação. Vaca. "Eles podem.. eles podem estar mortos agora.." E ela começou a chorar. Merda. Odeio ver alguém chorando, dá vontade de rir. Abracei-a. "Relaxa.. Não vai acontecer nada.. Eles querem a minha cabeça, e eu tô aqui, não tô? Vamos embora daqui, antes que essa galera toda acorde. Vamos, precisamos fugir". Pensei em pegar a arma de um dos burraldos e atirar na cabeça do velho, mas.. Nah, eu não sou assim, não sou um assassino. Não consigo nem matar uma barata. Eu sei, eu sei, ele pode vir atrás de mim.. Mas vai demorar pra ele acordar. Na briga que resultou no fim do relacionamento com Ginny, fiquei dois dias desacordado. Ela é realmente uma ninja. Nem parece uma professora universitária de Literatura. E uma escritora de mão cheia, ao contrário de mim. Além disso, é atriz. Já comentei que ela é ninja? Enfim, pegamos o carro dos bandidos e chegamos na casa dela, em menos de 10 minutos. Acho que foi por isso que Luigi mandou os empregados a buscarem. Ela mora mais perto, longe da cidade, também. Coisa do imbecil do marido dela, que não gosta da cidade. Cara estranho. A menininha tá ilesa. Menos mal. O marido bostão sumiu, ót.. Merda. O cara sumiu. E por minha culpa. Ginny vai me matar. A menininha, Cindy - uma criança bonitinha, se não fosse o fato de ter a cara do pai - contou que "os homens maus" haviam batido no seu pai e levado ele não se sabe pra onde. Ótimo, espero que a cara dele esteja toda.. Droga. Por sorte, como eu já disse anteriormente, os capangas do Papai Noel mafioso são mais burros que uma porta. Deixaram o endereço. O píer, duas quadras da casa. CARA, QUAL É O PROBLEMA DELES?! "Vá buscá-lo", Ginny disse. O QUÊ?! Mas, mas.. "Vá buscá-lo, a culpa foi sua. E vivo. Traga-o vivo. Você sabe o que pode acontecer.." Eu me lembro bem. Nossa primeira briga, uma joelhada no saco. Ainda sinto a dor daquilo, às vezes. Não tive outra escolha, peguei o carro de novo e lá fui eu, sozinho dessa vez. E mais uma vez, a estupidez humana tá do meu lado. Uma arma, carregada, no porta luvas. Não sei atirar, mas dane-se, é uma arma. Cheguei no tal píer. Ô lugarzinho sujo.. Todo bagunçado.. Parece mal assombrado, sei lá. Tudo escuro.. Não consigo enxergar porra nenhuma. Ouço uma grave voz, aparentemente dando ordens. Com toda a habilidade adquirida em uma adolescência inteira jogando games de furtividade, fui averiguar, com o revólver em punho, preparado para atirar. Ou pelo menos tentando parecer preparado pra alguma coisa. Três homens mascarados. Um andando dum lado pro outro, era o que eu ouvi gritar. Outro, encostado numa pilastra, rindo. E um terceiro, tremendo nervoso, apontando o revólver pra cabeça de um quarto homem, ajoelhado. À frente deste último, o mar. Estavam prestes a matá-lo, e jogar seu corpo, numa tacada só. "PODE PARAR COM A PALHAÇADA!", gritei, saindo de meu esconderijo, apontando a arma não sei pra quem. Os três se assustaram e se viraram pra mim. E aí ficou aquela cena ridícula por uns 5 minutos. 3 grandalhões patetas apontando revólveres pra mim, e eu apontando o meu revólver pra lugar nenhum. Até que eu fechei os olhos e atirei. Um guincho de dor. Acertei um, não sei como. Abri os olhos e, ufa!, foi em um dos bandidos. Os outros correram pra ajudar, e esqueceram o refém completamente. Corri até ele e o puxei pra meu esconderijo. Demorou um pouco, mas os caras perceberam que algo tava faltando. Não dá pra fugir, eles vão me ver. Merda. Apontei pra um e atirei. Novamente, consegui acertar. Sorte de principiante, presumo. O cara que sobrou, o mais cagão de todos, ficou sem saber o que fazer. E eu.. Vocês podem me chamar de idiota a vida toda, mas deu pena do cara. Peguei o marido de Ginny pelo braço e o levei até o carro. Mal fechei a porta e já estava acelerando, com medo do bandido perdidão lá atrás, enquanto o cara que eu havia acabado de salvar tirava o saco da cabeça. Carl, o cara que foi meu melhor amigo e que roubou minha namorada depois, deve sua vida a mim. A julgar pela sua expressão, ele gostou disso tanto quanto eu.

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