Ah, cara...
Sério? De novo esse velho... E ainda sabotou meu café. Filho da
puta. Conseguiu me deixar com a dor de cabeça mais desgraçada da
vida. Tomara que morra engasgado com a comida. Ou com a própria pata
de porco. "Você realmente não achou que eu te deixaria em paz,
né?" Pra ser sincero, eu tinha achado sim, mas.. "Claro
que não. Eu sabia que você voltaria, e sabia exatamente como você
faria isso". Nunca menti tanto na vida. Mas acho que ele caiu.
É, ou eu sou foda demais, ou o velho é burro demais. Acho que tá
mais pra primeira opção. "Sabia, é?..", o gordão,
Luigi, riu. É, acho que não sou tão fodão assim. "Então..
Se sabia, não se defendeu por qual razão?". E nem o velho é
tão burro. Que merda. Que. Merda. "Ãh.. É.." E agora?
Continuo dando uma de Chuck Norris? Digo que senti saudades? Ou falo
a verdade, que sou uma anta completa? Bom.. "Gosto de fortes
emoções" O QUÊ?!. E o velho voltou a rir, agora com gosto.
Fodeu, agora eu perco as bolas. "Que pena... O trouxe aqui
apenas para negociar, meu caro. Outra proposta. E antes, para mostrar
o quanto sou cortês... Anda, desamarrem-no". Ah, é, esqueci de
mencionar. Quando eu acordei, me vi sentado e amarrado a uma cadeira
velha. Algo que com certeza contrastava com a sala da mansão onde eu
estava. E agora fico pensando: Por quanto tempo me apagaram? Com
certeza, não estou no meu país. "100 milhões, garoto. 100
milhões de dólares, aqui, agora, do meu bolso, pra você parar de
me difamar". Esses ricos, todos preocupadinhos com a imagem..
Mas, porra, todo mundo sabe que esse cara é um bandidão. A não ser
que... "Ãh... Permita-me tirar uma dúvida? É.. Qual o motivo
de sua preocupação? Digo.. Ninguém gosta de ser chamado de
bandido, mas, sem querer ofender.. O mundo inteiro sabe de você".
E eu vou tomar um tiro. Com certeza vou tomar um tiro. Preciso parar
de tentar adivinhar as coisas, sempre erro. Que droga. "Você...",
começou o Don Noel, tremendo nervoso. "Você insultou a minha
Mamma, SEU VERME!" "... Sério, velhote?" E eu tomei
um soco. Isso eu deveria ter previsto. Doeu, doeu pra caralho. "NÃO
FAÇA MAIS PIADAS, INSOLENTE!" Luigi parecia que ia morrer ali
na minha frente, de tão agitado que estava. Rapidamente, uma jovem
bem bonitinha - provavelmente sua secretária, embora estivesse com
maquiagem demais para uma secretária - apareceu para auxiliá-lo,
com um copo d'água e um comprimido qualquer. Deu até pena do velho.
Após alguns minutos de silêncio, ele voltou a falar, agora mais
calmo. "Então.. Você vai aceitar o meu dinheiro?" "Não",
respondi de imediato. E, antes que eu levasse outro soco ou coisa
pior... "Eu vou parar, mas não quero dinheiro nenhum. Eu
entendo a sua preocupação, tudo bem. Mas não preciso da grana.
Mas, talvez.." E o que ocorreu logo após, eu mal me lembro. Mas
acho que teve a ver com telefone e com a filha dele.. Mas, depois
disso, não ouvi mais falar do chefe da máfia italiana. Voltei à
minha antiga vida, voltei a escrever meus livros.. Que continuam a
não vender, mas tudo bem. Pelo menos, não tenho bandidos burraldos
correndo atrás de mim. Sábado. Noite. Um dia bem parecido com o
começo desta história. Uma batida na porta, também bastante
semelhante. Mas, dessa vez, eu estava aguardando uma pizza. Abro a
porta, e... Oops.
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