domingo, 25 de setembro de 2016

A Máfia Não Tem Graça - Parte 6

Ah, cara... Sério? De novo esse velho... E ainda sabotou meu café. Filho da puta. Conseguiu me deixar com a dor de cabeça mais desgraçada da vida. Tomara que morra engasgado com a comida. Ou com a própria pata de porco. "Você realmente não achou que eu te deixaria em paz, né?" Pra ser sincero, eu tinha achado sim, mas.. "Claro que não. Eu sabia que você voltaria, e sabia exatamente como você faria isso". Nunca menti tanto na vida. Mas acho que ele caiu. É, ou eu sou foda demais, ou o velho é burro demais. Acho que tá mais pra primeira opção. "Sabia, é?..", o gordão, Luigi, riu. É, acho que não sou tão fodão assim. "Então.. Se sabia, não se defendeu por qual razão?". E nem o velho é tão burro. Que merda. Que. Merda. "Ãh.. É.." E agora? Continuo dando uma de Chuck Norris? Digo que senti saudades? Ou falo a verdade, que sou uma anta completa? Bom.. "Gosto de fortes emoções" O QUÊ?!. E o velho voltou a rir, agora com gosto. Fodeu, agora eu perco as bolas. "Que pena... O trouxe aqui apenas para negociar, meu caro. Outra proposta. E antes, para mostrar o quanto sou cortês... Anda, desamarrem-no". Ah, é, esqueci de mencionar. Quando eu acordei, me vi sentado e amarrado a uma cadeira velha. Algo que com certeza contrastava com a sala da mansão onde eu estava. E agora fico pensando: Por quanto tempo me apagaram? Com certeza, não estou no meu país. "100 milhões, garoto. 100 milhões de dólares, aqui, agora, do meu bolso, pra você parar de me difamar". Esses ricos, todos preocupadinhos com a imagem.. Mas, porra, todo mundo sabe que esse cara é um bandidão. A não ser que... "Ãh... Permita-me tirar uma dúvida? É.. Qual o motivo de sua preocupação? Digo.. Ninguém gosta de ser chamado de bandido, mas, sem querer ofender.. O mundo inteiro sabe de você". E eu vou tomar um tiro. Com certeza vou tomar um tiro. Preciso parar de tentar adivinhar as coisas, sempre erro. Que droga. "Você...", começou o Don Noel, tremendo nervoso. "Você insultou a minha Mamma, SEU VERME!" "... Sério, velhote?" E eu tomei um soco. Isso eu deveria ter previsto. Doeu, doeu pra caralho. "NÃO FAÇA MAIS PIADAS, INSOLENTE!" Luigi parecia que ia morrer ali na minha frente, de tão agitado que estava. Rapidamente, uma jovem bem bonitinha - provavelmente sua secretária, embora estivesse com maquiagem demais para uma secretária - apareceu para auxiliá-lo, com um copo d'água e um comprimido qualquer. Deu até pena do velho. Após alguns minutos de silêncio, ele voltou a falar, agora mais calmo. "Então.. Você vai aceitar o meu dinheiro?" "Não", respondi de imediato. E, antes que eu levasse outro soco ou coisa pior... "Eu vou parar, mas não quero dinheiro nenhum. Eu entendo a sua preocupação, tudo bem. Mas não preciso da grana. Mas, talvez.." E o que ocorreu logo após, eu mal me lembro. Mas acho que teve a ver com telefone e com a filha dele.. Mas, depois disso, não ouvi mais falar do chefe da máfia italiana. Voltei à minha antiga vida, voltei a escrever meus livros.. Que continuam a não vender, mas tudo bem. Pelo menos, não tenho bandidos burraldos correndo atrás de mim. Sábado. Noite. Um dia bem parecido com o começo desta história. Uma batida na porta, também bastante semelhante. Mas, dessa vez, eu estava aguardando uma pizza. Abro a porta, e... Oops.

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