Nove e quinze da noite.
Milão. 2015. Estou eu, no meu carro, um velho ford 88, me dirigindo
até uma famosa pizzaria. Sou Steve Nichols, um dos traficantes mais
perigosos do mundo, Top 5 da lista de procurados da Interpol. Não
que eu tenha orgulho disso. Pelo contrário. Fui para a vida de
crimes para sobreviver. Era a única opção. Ser uma criança
morando com a jovem mãe solteira no Brooklyn nos anos 80, não era
fácil. E continua não sendo. Vejam só, o carro que estou
dirigindo. Não é nem de longe um bom carro. Não tenho tanto
dinheiro assim. Tudo sempre foi dividido com outros, agora, com a
máfia italiana, meus chefes. Primeira vez que vou encontrá-los, na
verdade. Olho o relógio. 21:25. Merda, estou atrasado. Marquei com
os caras 21:30, e ainda não vejo sinal algum do restaurante. Vou
acelerar, foda-se. Se a Interpol ainda não me pegou, não vai ser um
guardinha que fará isso. 21:28. De acordo com o GPS, estou há duas
quadras do restaurante. Vou me atrasar uns minutinhos, mas espero que
não tenha problema. Não muito. 21:37. Enfim, cheguei no
restaurante. Levei um tempinho pra estacionar, o manobrista tentou me
extorquir, mas consegui entrar. Fui levado à uma ala reservada, onde
um homem mais ou menos da minha idade estava numa mesa, com duas ou
três mulheres em volta. Gostosas. Filho da mãe. Me aproximei. O
homem fez sinal para que eu sentasse, e começou a falar, num inglês
carregadíssimo de sotaque italiano. "Ora, ora... Finalmente,
Sr. Nichols.. Já estava preocupado que tivesse se perdido"
"Ãh.. Senhor.. Andretti, lamento, o trânsito estava..."
"Sem problemas, Steve, estava só brincando". Ele começou
a rir e as mulheres o acompanharam. "Aceita champagne? Vamos
comemorar sua chegada, com essas belas moças, que tal?" Aceitei
uma taça, e a esvaziei praticamente num gole. Estou com sede, oras.
Começamos a conversar sobre minha viagem ao país, coisas sem
importância. De repente, um homem gigantesco enfiado num terno que
parecia ser de um boneco adentra a sala e cochicha algo nos ouvidos
do Sr. Andretti. "Sr. Nichols, fundos, agora. Você não vai
querer dar de cara com nossos visitantes..." Ouço gritos vindos
da sala normal do restaurante. Tiros. Outro grito. "ONDE ESTÁ
STEVE NICHOLS?!". Ah, não... O maldito me seguiu até aqui.
Henry Buchanan, agente da Interpol, responsável por me caçar. Me
levantei imediatamente e segui, correndo, até uma pequena porta
secreta. Dei sorte de uma das gostosas vir junto. Mais tiros. Muitos
gritos. Demorou provavelmente uns 10 minutos, até ficar tudo em
silêncio. Saí do local que estava, cauteloso, voltando para o local
anterior. Andreatti com um agente feito de refém e Buchanan na
frente dele, mirando um revólver. "Solte a arma, italiano de
merda". Andreatti deu um sorriso e largou a arma no chão.
Enquanto Buchanan se aproximava da arma para pegá-la, aconteceu uma
coisa muito estranha, e rápida. Andreatti aproximou seu rosto do
pescoço do agente, e, logo depois, este caiu, desmaiado no chão. O
italiano, meu novo chefe, se transformou num pequeno animal negro de
asas e saiu voando da sala, rapidamente. Antes que Buchanan
percebesse que eu estava ali, saí correndo para fora do restaurante,
e uma das mulheres ainda me seguia. Roxanne, seu nome, acho. Mas, não
importava. Fiquei um tempo tentando entender o que tinha acabado de
acontecer, mas, não, não era possível. Era um morcego. Então..
Andretti era... um vampiro. Mas, vampiros não existem. Não havia
explicação lógica para aquilo. Falei, mais pra mim do que para a
mulher ao meu lado. "Que porra foi essa?".
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