domingo, 25 de setembro de 2016

Nunca teve um nome. Continuará a não ter - Parte 1

Nove e quinze da noite. Milão. 2015. Estou eu, no meu carro, um velho ford 88, me dirigindo até uma famosa pizzaria. Sou Steve Nichols, um dos traficantes mais perigosos do mundo, Top 5 da lista de procurados da Interpol. Não que eu tenha orgulho disso. Pelo contrário. Fui para a vida de crimes para sobreviver. Era a única opção. Ser uma criança morando com a jovem mãe solteira no Brooklyn nos anos 80, não era fácil. E continua não sendo. Vejam só, o carro que estou dirigindo. Não é nem de longe um bom carro. Não tenho tanto dinheiro assim. Tudo sempre foi dividido com outros, agora, com a máfia italiana, meus chefes. Primeira vez que vou encontrá-los, na verdade. Olho o relógio. 21:25. Merda, estou atrasado. Marquei com os caras 21:30, e ainda não vejo sinal algum do restaurante. Vou acelerar, foda-se. Se a Interpol ainda não me pegou, não vai ser um guardinha que fará isso. 21:28. De acordo com o GPS, estou há duas quadras do restaurante. Vou me atrasar uns minutinhos, mas espero que não tenha problema. Não muito. 21:37. Enfim, cheguei no restaurante. Levei um tempinho pra estacionar, o manobrista tentou me extorquir, mas consegui entrar. Fui levado à uma ala reservada, onde um homem mais ou menos da minha idade estava numa mesa, com duas ou três mulheres em volta. Gostosas. Filho da mãe. Me aproximei. O homem fez sinal para que eu sentasse, e começou a falar, num inglês carregadíssimo de sotaque italiano. "Ora, ora... Finalmente, Sr. Nichols.. Já estava preocupado que tivesse se perdido" "Ãh.. Senhor.. Andretti, lamento, o trânsito estava..." "Sem problemas, Steve, estava só brincando". Ele começou a rir e as mulheres o acompanharam. "Aceita champagne? Vamos comemorar sua chegada, com essas belas moças, que tal?" Aceitei uma taça, e a esvaziei praticamente num gole. Estou com sede, oras. Começamos a conversar sobre minha viagem ao país, coisas sem importância. De repente, um homem gigantesco enfiado num terno que parecia ser de um boneco adentra a sala e cochicha algo nos ouvidos do Sr. Andretti. "Sr. Nichols, fundos, agora. Você não vai querer dar de cara com nossos visitantes..." Ouço gritos vindos da sala normal do restaurante. Tiros. Outro grito. "ONDE ESTÁ STEVE NICHOLS?!". Ah, não... O maldito me seguiu até aqui. Henry Buchanan, agente da Interpol, responsável por me caçar. Me levantei imediatamente e segui, correndo, até uma pequena porta secreta. Dei sorte de uma das gostosas vir junto. Mais tiros. Muitos gritos. Demorou provavelmente uns 10 minutos, até ficar tudo em silêncio. Saí do local que estava, cauteloso, voltando para o local anterior. Andreatti com um agente feito de refém e Buchanan na frente dele, mirando um revólver. "Solte a arma, italiano de merda". Andreatti deu um sorriso e largou a arma no chão. Enquanto Buchanan se aproximava da arma para pegá-la, aconteceu uma coisa muito estranha, e rápida. Andreatti aproximou seu rosto do pescoço do agente, e, logo depois, este caiu, desmaiado no chão. O italiano, meu novo chefe, se transformou num pequeno animal negro de asas e saiu voando da sala, rapidamente. Antes que Buchanan percebesse que eu estava ali, saí correndo para fora do restaurante, e uma das mulheres ainda me seguia. Roxanne, seu nome, acho. Mas, não importava. Fiquei um tempo tentando entender o que tinha acabado de acontecer, mas, não, não era possível. Era um morcego. Então.. Andretti era... um vampiro. Mas, vampiros não existem. Não havia explicação lógica para aquilo. Falei, mais pra mim do que para a mulher ao meu lado. "Que porra foi essa?".

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