Capítulo 4 - Um
pouquinho de chororô
Julie, Julie, Julie... saudades dela. É, saudades. Eu não sou o ser insensível que pensam que sou. Bom, talvez um pouco. Mas eu realmente gostava dela. Éramos amigos, embora nunca dissemos isso um ao outro. Sei lá, talvez não precisasse. Ou precisasse, e ela foi embora justamente por isso. Enfim, queria vê-la novamente. Tentar entender o que levou ela a sumir daquela forma. Procurei-a durante semanas, e nada. Até que desisti. Provavelmente, ela já havia saído da cidade, e um jovem desempregado que vivia por aí vestido com um uniforme vermelho ridículo e ouvia vozes pedindo socorro a cada 15 minutos não tinha como sair dali. Ou talvez tivesse, se soubesse voar, o que não era o meu caso. Sei que os irritei, como sempre, mas precisava deste pouquinho de chororô (Sei lá, vai que vocês passam a torcer por mim, agora..). Agora sim, finalmente, ao que interessa partiremos. Não vou aqui me perder em memórias, dos últimos 10, 12 anos, porque não aconteceu nada de muito interessante. Claro que mais interessante do que tudo que vocês aí fazem, mas monótono demais, pra mim. Apenas resolvendo os pequenos delitos aqui nessa porcaria que alguns ousam chamar de cidade. Até um mês e pouco atrás, quando apareceu, na porta da delegacia, uma criança morta. Era uma menina, devia ter uns 10 anos. Não tinha um braço, e não possuía roupa nenhuma. Terrível, terrível, um crime terrível. E eu só fui saber junto com o resto da população, nos jornais. Eu não tive como impedir essa barbaridade, nem senti a pobre garota gritar. Só quero saber quem foi o filho da puta que fez isso com a garota e bloqueou meus poderes, pra matar o desgraçado. E ainda tem o tal grupinho novo que apareceu na cidade, que eu não consigo encontrar. Já recebi dois convites misteriosos para encontrá-los. Não fui na primeira data marcada, pois pensei que poderia ser uma armadilha. A cidade pôs a culpa da morte da garotinha em mim e todos ainda estão querendo me matar. Enfim, talvez eu vá na data que está no segundo convite. Ainda não sei. Me parece que a coisa é séria, mesmo.
Capítulo 5 - Capas sujas e bons livros. Ou será que é o contrário?
E lá fui eu, encontrar os caras, tarde da noite, numa fábrica abandonada nos limites da cidade. Cara de armadilha pura. Eu tava ferrado, com certeza. Já estava preparado pra correr de uma multidão enfurecida com tochas na mão, como se eu fosse Frankenstein. Mas.. já ouviram aquela frase "Não julgue um livro pela capa"? Pois é.. era verdade, afinal. Não haviam tochas, pedras, tampouco uma multidão. Enfurecida, muito menos. Haviam 2 rapazes e uma garota, me esperando. Todos com uniformes coloridos, um tanto bizarros. É, mais bizarros que o meu. Eles se apresentaram, bem educados. Um dos rapazes, que, aparentemente, era o líder deles, dizia se chamar Kyle. Rapaz negro, vestes negras, e possuía o poder do teletransporte. Era um ninja. O outro, ruivo, com cara de babaca, chamado de "Ferrugem", apenas (aparentemente, não gostava de seu nome, porque, preferir ser chamado de "Ferrugem" é brincadeira.), tinha a capacidade de destruir equipamentos eletrõnicos com a mente. Tomar cuidado para nunca irritá-lo, se não, posso acabar perdendo o Radarfone (um celularzinho barato que pintei de vermelho e por onde aviso à polícia sobre locais de crimes). A menina, loira, e, que Deus não me puna por isso, mas que é bem gostosa (não me entendam tão mal. Ela já deve ter 18 anos, mas é que eu não sou lá muito novo, mais. Enfim..), pode transformar-se... em líquido (ô poderzinho..) e se chama Christie. Perguntei-lhes o que queriam e obtive como resposta o seguinte: "Queremos que pare de tentar tomar nosso lugar". QUe merda é essa?! ELES é que tomaram MEU lugar! Eu ajudo essa cidade há anos! Não vai ser um grupinho de merda que vai me tirar do meu lugar! Gritei tudo isso (e mais algumas outras coisas, que não transcreverei, pois crianças podem estar lendo isto), e uma discussão começou. Agora, agradeço a qualquer força divina que tenha me ajudado, por aquelas crianças não terem usado seus poderes. Eu não queria ter que arrebentar dois moleques e a bonitinha. Se bem que era mais provável que eu saísse arrebentado. De repente, ouviu-se uma voz feminina, ordenando silêncio. Me virei em direção à voz e vi uma mulher mascarada. Dava pra ver apenas seus longos e negros cabelos. E um pouco de sua testa. Enquanto falava, ela terminava de colocar uma luva na mão direita. "Perdoem o atraso, crianças. Nosso convidado já ouviu nossa proposta?". Kyle fez um sinal afirmativo com a cabeça. A mulher lhe dava medo. "E ele a aceitou?", perguntou a mulher. "N- não, Sonífera", o moleque respondeu, gaguejando. Sonífera... isso lá é nome de heroína? "Deixem- me a sós com ele, pessoal. Tenho certeza que agora Radar e eu entraremos num acordo". O trio retirou-se rapidamente, e, naquela sala imunda, agora, apenas eu e a "Sonífera". "Quanto tempo, não, Radar? Faz o quê, 10 anos?", ela me perguntou. Parei por um tempo, analisando-a. Eu conhecia aqueles cabelos. Conhecia a voz, mesmo que tivesse mudado um pouco, com o tempo. E, as luvas... claro, as luvas. "Não. Faz 15 anos, Jules, desde o dia que você partiu". "Como me reconheceu?". "As luvas", respondi. "As luvas azuis... eu que te dei, lembra? Uma semana antes de você ir embora". Ela olhou para as próprias mãos. "Achei que não fosse se lembrar", e retirou a máscara, me deixando ver seu rosto. Praticamente o mesmo, que eu não via há 15 anos. "Senti sua falta", começou a dizer, se aproximando de mim. Eu, como o bom pateta que sou, fiquei paralisado. "Eu não queria ter ido embora, mas... ah, depois eu te conto. Você sabe que, quando são dadas as respostas, tudo perde a graça". Julie riu e me beijou. Em seguida, pôs uma das mãos em meu rosto. Sem a luva. "Merda", foi a última coisa em que pensei, antes de apagar.
Julie, Julie, Julie... saudades dela. É, saudades. Eu não sou o ser insensível que pensam que sou. Bom, talvez um pouco. Mas eu realmente gostava dela. Éramos amigos, embora nunca dissemos isso um ao outro. Sei lá, talvez não precisasse. Ou precisasse, e ela foi embora justamente por isso. Enfim, queria vê-la novamente. Tentar entender o que levou ela a sumir daquela forma. Procurei-a durante semanas, e nada. Até que desisti. Provavelmente, ela já havia saído da cidade, e um jovem desempregado que vivia por aí vestido com um uniforme vermelho ridículo e ouvia vozes pedindo socorro a cada 15 minutos não tinha como sair dali. Ou talvez tivesse, se soubesse voar, o que não era o meu caso. Sei que os irritei, como sempre, mas precisava deste pouquinho de chororô (Sei lá, vai que vocês passam a torcer por mim, agora..). Agora sim, finalmente, ao que interessa partiremos. Não vou aqui me perder em memórias, dos últimos 10, 12 anos, porque não aconteceu nada de muito interessante. Claro que mais interessante do que tudo que vocês aí fazem, mas monótono demais, pra mim. Apenas resolvendo os pequenos delitos aqui nessa porcaria que alguns ousam chamar de cidade. Até um mês e pouco atrás, quando apareceu, na porta da delegacia, uma criança morta. Era uma menina, devia ter uns 10 anos. Não tinha um braço, e não possuía roupa nenhuma. Terrível, terrível, um crime terrível. E eu só fui saber junto com o resto da população, nos jornais. Eu não tive como impedir essa barbaridade, nem senti a pobre garota gritar. Só quero saber quem foi o filho da puta que fez isso com a garota e bloqueou meus poderes, pra matar o desgraçado. E ainda tem o tal grupinho novo que apareceu na cidade, que eu não consigo encontrar. Já recebi dois convites misteriosos para encontrá-los. Não fui na primeira data marcada, pois pensei que poderia ser uma armadilha. A cidade pôs a culpa da morte da garotinha em mim e todos ainda estão querendo me matar. Enfim, talvez eu vá na data que está no segundo convite. Ainda não sei. Me parece que a coisa é séria, mesmo.
Capítulo 5 - Capas sujas e bons livros. Ou será que é o contrário?
E lá fui eu, encontrar os caras, tarde da noite, numa fábrica abandonada nos limites da cidade. Cara de armadilha pura. Eu tava ferrado, com certeza. Já estava preparado pra correr de uma multidão enfurecida com tochas na mão, como se eu fosse Frankenstein. Mas.. já ouviram aquela frase "Não julgue um livro pela capa"? Pois é.. era verdade, afinal. Não haviam tochas, pedras, tampouco uma multidão. Enfurecida, muito menos. Haviam 2 rapazes e uma garota, me esperando. Todos com uniformes coloridos, um tanto bizarros. É, mais bizarros que o meu. Eles se apresentaram, bem educados. Um dos rapazes, que, aparentemente, era o líder deles, dizia se chamar Kyle. Rapaz negro, vestes negras, e possuía o poder do teletransporte. Era um ninja. O outro, ruivo, com cara de babaca, chamado de "Ferrugem", apenas (aparentemente, não gostava de seu nome, porque, preferir ser chamado de "Ferrugem" é brincadeira.), tinha a capacidade de destruir equipamentos eletrõnicos com a mente. Tomar cuidado para nunca irritá-lo, se não, posso acabar perdendo o Radarfone (um celularzinho barato que pintei de vermelho e por onde aviso à polícia sobre locais de crimes). A menina, loira, e, que Deus não me puna por isso, mas que é bem gostosa (não me entendam tão mal. Ela já deve ter 18 anos, mas é que eu não sou lá muito novo, mais. Enfim..), pode transformar-se... em líquido (ô poderzinho..) e se chama Christie. Perguntei-lhes o que queriam e obtive como resposta o seguinte: "Queremos que pare de tentar tomar nosso lugar". QUe merda é essa?! ELES é que tomaram MEU lugar! Eu ajudo essa cidade há anos! Não vai ser um grupinho de merda que vai me tirar do meu lugar! Gritei tudo isso (e mais algumas outras coisas, que não transcreverei, pois crianças podem estar lendo isto), e uma discussão começou. Agora, agradeço a qualquer força divina que tenha me ajudado, por aquelas crianças não terem usado seus poderes. Eu não queria ter que arrebentar dois moleques e a bonitinha. Se bem que era mais provável que eu saísse arrebentado. De repente, ouviu-se uma voz feminina, ordenando silêncio. Me virei em direção à voz e vi uma mulher mascarada. Dava pra ver apenas seus longos e negros cabelos. E um pouco de sua testa. Enquanto falava, ela terminava de colocar uma luva na mão direita. "Perdoem o atraso, crianças. Nosso convidado já ouviu nossa proposta?". Kyle fez um sinal afirmativo com a cabeça. A mulher lhe dava medo. "E ele a aceitou?", perguntou a mulher. "N- não, Sonífera", o moleque respondeu, gaguejando. Sonífera... isso lá é nome de heroína? "Deixem- me a sós com ele, pessoal. Tenho certeza que agora Radar e eu entraremos num acordo". O trio retirou-se rapidamente, e, naquela sala imunda, agora, apenas eu e a "Sonífera". "Quanto tempo, não, Radar? Faz o quê, 10 anos?", ela me perguntou. Parei por um tempo, analisando-a. Eu conhecia aqueles cabelos. Conhecia a voz, mesmo que tivesse mudado um pouco, com o tempo. E, as luvas... claro, as luvas. "Não. Faz 15 anos, Jules, desde o dia que você partiu". "Como me reconheceu?". "As luvas", respondi. "As luvas azuis... eu que te dei, lembra? Uma semana antes de você ir embora". Ela olhou para as próprias mãos. "Achei que não fosse se lembrar", e retirou a máscara, me deixando ver seu rosto. Praticamente o mesmo, que eu não via há 15 anos. "Senti sua falta", começou a dizer, se aproximando de mim. Eu, como o bom pateta que sou, fiquei paralisado. "Eu não queria ter ido embora, mas... ah, depois eu te conto. Você sabe que, quando são dadas as respostas, tudo perde a graça". Julie riu e me beijou. Em seguida, pôs uma das mãos em meu rosto. Sem a luva. "Merda", foi a última coisa em que pensei, antes de apagar.
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