Alguns dias depois da
descida magnífica de pára-quedas de dentro de um prédio de uma
multinacional no Egito - Aliás, um pedestre filmou pelo celular,
jogou na internet, e o pouso rodou o mundo -, Eu e Roxanne estávamos
em Paris. Moda, et cetera, cidade luz, blábláblá... Aliás, não
havia nada de "cidade luz" ali. Bom, talvez porque
estivesse escuro. Aha, essa foi uma piadinha muito escrota. Enfim,
voltando, estamos agora procurando o Dr. Jackson. Cientista (maluco)
inglês, refugiado nessa cidadezinha de merda, já que - pasmem- não
pode entrar em seu país por... acusações de tráfico de drogas.
Alucinógenos fortíssimos criados por ele, cujos efeitos ninguém
sobrevive pra relatar. Será que os monstrenguinhos querem saber se
eles são imunes ao bagulho? "Não, idiota. Ele tem outra coisa
que nos interessa", Roxanne respondeu. "O quê?" "Um
soro que vai prolongar as vidas de nós, seres imortais prestes a
morrer, enquanto buscamos o que ainda falta" "Então, quer
dizer que..." "Sim, Steve. Ele é um dos nossos". Dr.
Jackson.. Jekyll... Mr. Hyde... Agora faz sentido. Bom, dentro desse
"mundinho" onde fui parar, faz sentido. Entramos numa rua
sem saída, e fomos até seu final, onde havia uma tampa de esgoto.
Roxanne o abriu, e já começava a adentrar o buraco recém aberto.
"Tá de sacanagem, né?" "Ora, quem diria? Um "machão"
com medinho de esgoto.." "Medo não. Só tenho cuidado com
minha saúde. Tem bosta aí em baixo". "Realmente, tem... e
muita bosta. Mas, não negue, você já esteve em situações muito
piores, Senhor Nichols..." E pior que era verdade. Desci pelo
buraco do esgoto, logo atrás de Roxanne. Caminhamos por uns 10
minutos entre ratos, baratas e merda, até chegarmos de frente à uma
porta. Uma velha porta. E suja, claro. Ela bateu 3 vezes, e esperamos
alguns instantes, até que fez-se ouvir um som do outro lado. Alguém
destrancava e abria a porta. Quando a porta escancarou-se, demos de
cara com um homem idoso, franzino, que aparentava não enxergar muito
bem. Se eu não soubesse que ele era imortal, já teria perguntado o
dia do velório. O velho nos deixou atravessar para o outro lado, e o
que vi lá, me surpreendeu. Bastante. Um laboratório imenso, cheio
de equipamentos modernos, e tubos, e aquelas porras todas de
laboratório. "Estou num momento crucial em minha nova
pesquisa... Meu tempo é curto, o que querem? Desembuchem".
Velho e rabugento. Porque será que não me surpreendi? "O soro,
Jackson. Precisamos de duas caixas". "Duas caixas?! Você
está louca? Não tenho nem 5 frascos!" "Mas, nós
precisamos, estamos num momento difíc..." "Eu sei que
estamos num momento difícil, não precisa me dizer. Estamos pra
morrer, depois de termos passado por não sei quantos séculos. O
soro não vai ajudar quase nada. Só aumentará nossas vidas em
alguns poucos meses." "É mais do que suficiente. Este
homem" Naquele momento, ela apontou pra mim "Vai nos
salvar. Ele é o descendente de Drácula que esperávamos, nesta
era". "Ele? Vocês estão perdendo a prática, hein...
Descobriram este velho demais". Sério que AQUELA MÚMIA EM
ESTADO DE DECOMPOSIÇÃO tava me chamando de velho?! "Olha, meu
senhor, com todo respeito..." "Cala a boca, Nichols"
"Tá, tá bom, desculpe, ficarei quieto aqui no meu canto".
"Não seja babaca, Jackson. Vai nos ajudar ou não?"
"Hum... vou pensar... o que eu ganho?" O velho encarou
Roxanne, que, pela primeira vez desde que eu a tinha conhecido,
pareceu não ter resposta alguma, e, de certa forma, estava
intimidada. Nem com Andretti ela era assim. "Olha, velho... Eu
sei um pouco de química. Sei mexer com essas coisas, e, modéstia à
parte, tenho certa noção em comércio. Posso te ajudar nesse novo
produto, se quiser..", eu propus. O velho parou por alguns
segundos, pensativo. Eu sabia que tinha pego o velho de surpresa, e
que ele havia gostado da proposta. "Bom... Está bem. Roxanne,
pegue todos os frascos e leve até nossos amigos. E, você, Nichols,
não é? Nichols.. Você vai ter que ficar". Ah, não. Ah, não.
Ah, não.
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