domingo, 25 de setembro de 2016

Nunca teve um nome. Continuará a não ter - Parte 6

Alguns dias depois da descida magnífica de pára-quedas de dentro de um prédio de uma multinacional no Egito - Aliás, um pedestre filmou pelo celular, jogou na internet, e o pouso rodou o mundo -, Eu e Roxanne estávamos em Paris. Moda, et cetera, cidade luz, blábláblá... Aliás, não havia nada de "cidade luz" ali. Bom, talvez porque estivesse escuro. Aha, essa foi uma piadinha muito escrota. Enfim, voltando, estamos agora procurando o Dr. Jackson. Cientista (maluco) inglês, refugiado nessa cidadezinha de merda, já que - pasmem- não pode entrar em seu país por... acusações de tráfico de drogas. Alucinógenos fortíssimos criados por ele, cujos efeitos ninguém sobrevive pra relatar. Será que os monstrenguinhos querem saber se eles são imunes ao bagulho? "Não, idiota. Ele tem outra coisa que nos interessa", Roxanne respondeu. "O quê?" "Um soro que vai prolongar as vidas de nós, seres imortais prestes a morrer, enquanto buscamos o que ainda falta" "Então, quer dizer que..." "Sim, Steve. Ele é um dos nossos". Dr. Jackson.. Jekyll... Mr. Hyde... Agora faz sentido. Bom, dentro desse "mundinho" onde fui parar, faz sentido. Entramos numa rua sem saída, e fomos até seu final, onde havia uma tampa de esgoto. Roxanne o abriu, e já começava a adentrar o buraco recém aberto. "Tá de sacanagem, né?" "Ora, quem diria? Um "machão" com medinho de esgoto.." "Medo não. Só tenho cuidado com minha saúde. Tem bosta aí em baixo". "Realmente, tem... e muita bosta. Mas, não negue, você já esteve em situações muito piores, Senhor Nichols..." E pior que era verdade. Desci pelo buraco do esgoto, logo atrás de Roxanne. Caminhamos por uns 10 minutos entre ratos, baratas e merda, até chegarmos de frente à uma porta. Uma velha porta. E suja, claro. Ela bateu 3 vezes, e esperamos alguns instantes, até que fez-se ouvir um som do outro lado. Alguém destrancava e abria a porta. Quando a porta escancarou-se, demos de cara com um homem idoso, franzino, que aparentava não enxergar muito bem. Se eu não soubesse que ele era imortal, já teria perguntado o dia do velório. O velho nos deixou atravessar para o outro lado, e o que vi lá, me surpreendeu. Bastante. Um laboratório imenso, cheio de equipamentos modernos, e tubos, e aquelas porras todas de laboratório. "Estou num momento crucial em minha nova pesquisa... Meu tempo é curto, o que querem? Desembuchem". Velho e rabugento. Porque será que não me surpreendi? "O soro, Jackson. Precisamos de duas caixas". "Duas caixas?! Você está louca? Não tenho nem 5 frascos!" "Mas, nós precisamos, estamos num momento difíc..." "Eu sei que estamos num momento difícil, não precisa me dizer. Estamos pra morrer, depois de termos passado por não sei quantos séculos. O soro não vai ajudar quase nada. Só aumentará nossas vidas em alguns poucos meses." "É mais do que suficiente. Este homem" Naquele momento, ela apontou pra mim "Vai nos salvar. Ele é o descendente de Drácula que esperávamos, nesta era". "Ele? Vocês estão perdendo a prática, hein... Descobriram este velho demais". Sério que AQUELA MÚMIA EM ESTADO DE DECOMPOSIÇÃO tava me chamando de velho?! "Olha, meu senhor, com todo respeito..." "Cala a boca, Nichols" "Tá, tá bom, desculpe, ficarei quieto aqui no meu canto". "Não seja babaca, Jackson. Vai nos ajudar ou não?" "Hum... vou pensar... o que eu ganho?" O velho encarou Roxanne, que, pela primeira vez desde que eu a tinha conhecido, pareceu não ter resposta alguma, e, de certa forma, estava intimidada. Nem com Andretti ela era assim. "Olha, velho... Eu sei um pouco de química. Sei mexer com essas coisas, e, modéstia à parte, tenho certa noção em comércio. Posso te ajudar nesse novo produto, se quiser..", eu propus. O velho parou por alguns segundos, pensativo. Eu sabia que tinha pego o velho de surpresa, e que ele havia gostado da proposta. "Bom... Está bem. Roxanne, pegue todos os frascos e leve até nossos amigos. E, você, Nichols, não é? Nichols.. Você vai ter que ficar". Ah, não. Ah, não. Ah, não.

Nenhum comentário:

Postar um comentário