segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Linhas Paralelas - Parte 3

Tem alguma coisa errada com esse Johnny. Sempre teve. Desde que eu cheguei nessa cidade, no início do ano, percebi que ele não era um garoto normal. Quieto, sozinho, sempre com um caderno embaixo do braço... E ainda tirando boas notas. Como pode, uma coisa dessas?! Ele chegou a ser melhor que eu, isso eu não admito. Não mesmo. Eu preciso descobrir qual é o segredo dele. Preciso voltar ao topo. Talvez se... Epa, ele esqueceu um dos cadernos aqui. Será que eu devo... Foda-se, vou abrir. Parece um diárHAHAHAHAHAHAHAH. Suspeitei desde o princípio, ele é só mais um daqueles freaks. Passa o dia "sendo criativo"... Em vez de estar fazendo algo útil, como estudar. Mas eu tenho que admitir que ele é bom nisso, até. Me deixou levemente curiosa. Melhor avisar sobre o caderno, antes que uma bomba seja arremessada aqui em casa. Vai saber, né... "Ei, Johnny" "Quem é?" Retardado. Saiu daqui faz meia hora e nem pra olhar o nome na tela do celular. "Alice, cacete. Você acabou de sair da minha casa" "... Ah, tá, ok, projeto de química. O que houve?" "Ãh... Você esqueceu aqui um de seus cadern..." "NÃO ABRE! NÃO. ABRE. EU JÁ TÔ CHEGANDO AÍ!" Tarde demais, freak. Em 10 minutos, ele chegou. Resolvi puxar assunto sobre o caderno, pra tentar deixá-lo um pouco desconfortável. Eu sei como freaks funcionam. Mas esse até que não é tão ruim... Antes de Johnny ir embora de novo, fiz um desafio "Você pode fazer uma personagem pra mim?" Ele vai dizer 'sim' na hora, vai realmente tentar, e não vai conseguir. Todos eles são assim. "Ãh... Vou ver o que posso fazer" Freak. Freak do Freak. 'Ver o que pode fazer' é um jeito educado de dizer que provavelmente não irá fazer. Mal devolvi o caderno, e ele já saiu correndo. Eu ainda vou descobrir o seu segredo, Nerd. Me aguarde.

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