"Eu... Caralho..."
Quando não se sabe o que dizer, um palavrão é sempre uma boa
saída. Bom, funciona pra mim. E funciona pra Laurie. Caramba... Por
quanto tempo será que apaguei? Parece que não a vejo por, sei lá,
um mês. E que, nesse mês, ela não tomou banho. Nem eu. Ótimo.
Algemado e fedendo. Pelo menos, ainda respiro. "É, eu sei...
Caralho... Acho que faz uns dois dias, desde que chegamos, Tommy".
Puta que pariu, dois dias?! Não gritei isso, mas, meu olhar deve ter
feito isso por mim. "É... Ouvi umas conversas... Alguém
falando que 'o velho' não aguentaria uma semana na cadeia, e outro
alguém propondo uma aposta. Parece que alguém vai ganhar alguns
dólares se essa pessoa aguentar mais 5 dias. E, Tom, acho que esse
velho de que falavam..." Claro, meu pai. Merda. O velho deve tá
pirando dentro da cadeia. E sabe lá Deus o quê tão fazendo com
ele. É um cretino, mas continua sendo meu pai. "Ei... Onde...
Onde a gente tá? KELLY!!!" Paul acordou, e já gritando. "Cala
a boca, porra, você apagou por dois dias e acha que já pode acordar
grit-" "Que putaria é essa aqui?!", perguntou um
homem que empurrava violentamente a porta do quartinho e adentrava,
em passos firmes. Já vi que com esse cara eu não vou mexer. Ninguém
com o dobro do meu tamanho pode ser legal de brigar. "Que lugar
é esse?", Laurie perguntou, calmamente. Na verdade, ela apenas
fingia, mas nunca gostou de demonstrar fraqueza, por mais que
estivesse presa, e diante de um brutamontes que pode apagá-la com um
peteleco na testa. Não gosto da palavra 'capanga'. Desmerece os
caras. 'Brutamontes' dá muito mais medo. E esse brutamontes dá
medo. "Pergunte ao seu namoradinho aí, ele sabe. E é por causa
dele que você está aqui. Você e aquele maricas", e, após a
resposta, o brutamontes sem nome retirou-se, fechando a porta
novamente. Trancando-a, melhor dizendo. "Thomas..." Mau
sinal, mau sinal. Ela nunca me chamou de Thomas, depois que ficamos
amigos. "... Você conhece esse lugar?" Então, quer dizer
que ela interpretou que eu... Pára de pensar nisso, idiota, você
ainda tá preso, e tem um cara do seu lado, um maricas, quase
vomitando, graças ao péssimo cheiro que impregnava o quarto.
"Eu..." Olhei ao redor, pra tentar reconhecer o lugar, mas
isso não fazia sentido algum. Desde que nasci, vivi na mesma mansão,
passei toda a minha infância e adolescência lá, a única casa que
eu conhecia tão bem quanto a minha, era a casa de... Ah, não. Ah,
não. Ah, não. "Eu conheço esse quarto. Está vendo aquele
pôster todo rasgado ali na parede? Era meu. Esse era meu quarto, na
época que eu fugia da mansão, e passava um tempo aqui... Na casa de
minha avó".
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