domingo, 25 de setembro de 2016

Nunca Confie em Agências de Espionagem - Parte 3

"Eu... Caralho..." Quando não se sabe o que dizer, um palavrão é sempre uma boa saída. Bom, funciona pra mim. E funciona pra Laurie. Caramba... Por quanto tempo será que apaguei? Parece que não a vejo por, sei lá, um mês. E que, nesse mês, ela não tomou banho. Nem eu. Ótimo. Algemado e fedendo. Pelo menos, ainda respiro. "É, eu sei... Caralho... Acho que faz uns dois dias, desde que chegamos, Tommy". Puta que pariu, dois dias?! Não gritei isso, mas, meu olhar deve ter feito isso por mim. "É... Ouvi umas conversas... Alguém falando que 'o velho' não aguentaria uma semana na cadeia, e outro alguém propondo uma aposta. Parece que alguém vai ganhar alguns dólares se essa pessoa aguentar mais 5 dias. E, Tom, acho que esse velho de que falavam..." Claro, meu pai. Merda. O velho deve tá pirando dentro da cadeia. E sabe lá Deus o quê tão fazendo com ele. É um cretino, mas continua sendo meu pai. "Ei... Onde... Onde a gente tá? KELLY!!!" Paul acordou, e já gritando. "Cala a boca, porra, você apagou por dois dias e acha que já pode acordar grit-" "Que putaria é essa aqui?!", perguntou um homem que empurrava violentamente a porta do quartinho e adentrava, em passos firmes. Já vi que com esse cara eu não vou mexer. Ninguém com o dobro do meu tamanho pode ser legal de brigar. "Que lugar é esse?", Laurie perguntou, calmamente. Na verdade, ela apenas fingia, mas nunca gostou de demonstrar fraqueza, por mais que estivesse presa, e diante de um brutamontes que pode apagá-la com um peteleco na testa. Não gosto da palavra 'capanga'. Desmerece os caras. 'Brutamontes' dá muito mais medo. E esse brutamontes dá medo. "Pergunte ao seu namoradinho aí, ele sabe. E é por causa dele que você está aqui. Você e aquele maricas", e, após a resposta, o brutamontes sem nome retirou-se, fechando a porta novamente. Trancando-a, melhor dizendo. "Thomas..." Mau sinal, mau sinal. Ela nunca me chamou de Thomas, depois que ficamos amigos. "... Você conhece esse lugar?" Então, quer dizer que ela interpretou que eu... Pára de pensar nisso, idiota, você ainda tá preso, e tem um cara do seu lado, um maricas, quase vomitando, graças ao péssimo cheiro que impregnava o quarto. "Eu..." Olhei ao redor, pra tentar reconhecer o lugar, mas isso não fazia sentido algum. Desde que nasci, vivi na mesma mansão, passei toda a minha infância e adolescência lá, a única casa que eu conhecia tão bem quanto a minha, era a casa de... Ah, não. Ah, não. Ah, não. "Eu conheço esse quarto. Está vendo aquele pôster todo rasgado ali na parede? Era meu. Esse era meu quarto, na época que eu fugia da mansão, e passava um tempo aqui... Na casa de minha avó".

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