Acordei, com dores,
muitas dores, numa cama um tanto desconfortável, dentro de
um...quarto? aquilo seria um quarto? Não se parecia tanto com um.
Haviam ali algumas telas, equipamentos eletrônicos
esquisitos...fiquei um tempo observando tudo aquilo, tentando
entender onde estava, quando uma mulher apareceu. E que mulher, que a
minha não ouça. Belíssima. Loira, alta, belo corpo. Ela usava um
colete branco, e veio até mim. "Bom dia, Sr. Carlson..já
estávamos preocupados. O senhor dormiu por 4 dias inteiros". 4
dias? 4 dias?! Que maldito lugar é esse? Quem era aquela mulher? E
quem mais estava ali? Me levantei da cama rapidamente, apesar das
dores, e encarei a mulher. "Cadê o responsável por esse lugar?
preciso vê-lo". "Mas, Sr. Carlson, o senhor acabou de
acordar, depois de 4 dias..." "não interessa, quero
vê-lo". "Não posso. Senhor, tenho ordens de manter..."
"Me leve até ele AGORA", falei em tom alto. Tão alto, que
fui ouvido por alguém do lado de fora da sala. Um homem adentrou o
local, e começou a falar, da porta. "Cindy, saia, por favor.
Deixe-me conversar a sós com o Sr. Carlson". A loira baixou a
cabeça e retirou-se, sem dizer uma palavra. Após sua saída, o
homem retomou a fala. "Dormiu bem, Vince?". Ele me chamou
de Vince. Peraí, era o mesmo cara da van. Mike, Spike, ou sei lá
qual o nome do garoto. Ele começou a rir e pôs a mão em meu ombro.
"Vince, Vince...já que você está tão nervoso pra saber
coisas daqui, vou te contar. Contar o que sei, pelo menos. Bom, antes
de tudo, que lugar é este? Venha comigo...". Ele me conduziu
até uma janela que existia naquela sala. "Está vendo as luzes
na frente dessas casas? Olhe atentamente...não são lâmpadas
acessas. Não. As luzes estão...sozinhas. Não existe rede elétrica
aqui. A luz vem do nada. O mesmo acontece com a água, com os
alimentos, com o dinheiro, Sr. Carlson...o dinheiro, literalmente,
nasce em árvores, acredite. Este é o lugar perfeito. E, pasme o
senhor, estamos abaixo da floresta amazônica. Sim, é uma cidade
subterrânea." Ele parou de falar por um tempo, enquanto eu
tentava digerir todas as informações. Achei que era uma piada,
claro. Ou que estava ficando louco, o que era mais provável. Esperei
ele retomar o discurso, e fiquei curioso para ver até onde a loucura
daquele homem iria. Ele recomeçou. "Eu sei que você não crê
em mim. Sim, eu sei. E isso é o mais incrível. Este local
transforma a nós, seres humanos. Nós conquistamos habilidades
especiais, com o tempo. Eu posso ler a sua mente. Mas não direi mais
nada sobre esse lugar, agora. Você descobrirá, com o tempo. Agora,
vamos à outra questão: Porque você, logo você, está aqui? E,
mais uma vez, não posso te dizer tanto quanto gostaria, lamento. Meu
chefe solicitará uma reunião com o senhor, depois. O que posso
dizer é que este local é destinado apenas a membros de uma
organização secreta milenar, que buscou essa cidade mágica por
séculos, até encontrá-la, há dois anos. Claro que o senhor não
faz parte desta organização, mas seu pai era um dos membros mais
importantes. Antes de sua morte, ele deixou a ordem para que seu
descendente mais próximo tivesse a oportunidade de conhecer este
lugar, quando fosse descoberto. E aqui está o senhor". O rapaz
sorria pra mim, e eu permanecia confuso. Tão confuso quanto há 4
dias, quando fui jogado naquela van. Ainda não entendia nada
daquilo. Deveria me contentar com essa falta de informações, apesar
de não gostar disso. Mike virou-se para mim, sorrindo. "Isso é
tudo o que posso lhe contar, por hora. Vincent Carlson, bem
vindo...bem vindo à nossa Atlântida", disse o homem dando um
tapinha em meu ombro e virando para se retirar da sala.
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