segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O Livro dos Enigmas - Parte 2

Acordei, com dores, muitas dores, numa cama um tanto desconfortável, dentro de um...quarto? aquilo seria um quarto? Não se parecia tanto com um. Haviam ali algumas telas, equipamentos eletrônicos esquisitos...fiquei um tempo observando tudo aquilo, tentando entender onde estava, quando uma mulher apareceu. E que mulher, que a minha não ouça. Belíssima. Loira, alta, belo corpo. Ela usava um colete branco, e veio até mim. "Bom dia, Sr. Carlson..já estávamos preocupados. O senhor dormiu por 4 dias inteiros". 4 dias? 4 dias?! Que maldito lugar é esse? Quem era aquela mulher? E quem mais estava ali? Me levantei da cama rapidamente, apesar das dores, e encarei a mulher. "Cadê o responsável por esse lugar? preciso vê-lo". "Mas, Sr. Carlson, o senhor acabou de acordar, depois de 4 dias..." "não interessa, quero vê-lo". "Não posso. Senhor, tenho ordens de manter..." "Me leve até ele AGORA", falei em tom alto. Tão alto, que fui ouvido por alguém do lado de fora da sala. Um homem adentrou o local, e começou a falar, da porta. "Cindy, saia, por favor. Deixe-me conversar a sós com o Sr. Carlson". A loira baixou a cabeça e retirou-se, sem dizer uma palavra. Após sua saída, o homem retomou a fala. "Dormiu bem, Vince?". Ele me chamou de Vince. Peraí, era o mesmo cara da van. Mike, Spike, ou sei lá qual o nome do garoto. Ele começou a rir e pôs a mão em meu ombro. "Vince, Vince...já que você está tão nervoso pra saber coisas daqui, vou te contar. Contar o que sei, pelo menos. Bom, antes de tudo, que lugar é este? Venha comigo...". Ele me conduziu até uma janela que existia naquela sala. "Está vendo as luzes na frente dessas casas? Olhe atentamente...não são lâmpadas acessas. Não. As luzes estão...sozinhas. Não existe rede elétrica aqui. A luz vem do nada. O mesmo acontece com a água, com os alimentos, com o dinheiro, Sr. Carlson...o dinheiro, literalmente, nasce em árvores, acredite. Este é o lugar perfeito. E, pasme o senhor, estamos abaixo da floresta amazônica. Sim, é uma cidade subterrânea." Ele parou de falar por um tempo, enquanto eu tentava digerir todas as informações. Achei que era uma piada, claro. Ou que estava ficando louco, o que era mais provável. Esperei ele retomar o discurso, e fiquei curioso para ver até onde a loucura daquele homem iria. Ele recomeçou. "Eu sei que você não crê em mim. Sim, eu sei. E isso é o mais incrível. Este local transforma a nós, seres humanos. Nós conquistamos habilidades especiais, com o tempo. Eu posso ler a sua mente. Mas não direi mais nada sobre esse lugar, agora. Você descobrirá, com o tempo. Agora, vamos à outra questão: Porque você, logo você, está aqui? E, mais uma vez, não posso te dizer tanto quanto gostaria, lamento. Meu chefe solicitará uma reunião com o senhor, depois. O que posso dizer é que este local é destinado apenas a membros de uma organização secreta milenar, que buscou essa cidade mágica por séculos, até encontrá-la, há dois anos. Claro que o senhor não faz parte desta organização, mas seu pai era um dos membros mais importantes. Antes de sua morte, ele deixou a ordem para que seu descendente mais próximo tivesse a oportunidade de conhecer este lugar, quando fosse descoberto. E aqui está o senhor". O rapaz sorria pra mim, e eu permanecia confuso. Tão confuso quanto há 4 dias, quando fui jogado naquela van. Ainda não entendia nada daquilo. Deveria me contentar com essa falta de informações, apesar de não gostar disso. Mike virou-se para mim, sorrindo. "Isso é tudo o que posso lhe contar, por hora. Vincent Carlson, bem vindo...bem vindo à nossa Atlântida", disse o homem dando um tapinha em meu ombro e virando para se retirar da sala.

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