segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O Livro dos Enigmas - Parte 6

 Adormeci rapidamente, e, após o que pareceram segundos- e talvez até tivessem sido, pois não tenho noção nenhuma do tempo aqui, preso neste quarto- despertei graças à batidas violentas na porta. Eu tinha arranjado um jeito de trancá-la. "Carlson, Carlson, abra essa maldita porta, AGORA", berrava uma grave voz masculina. Levantei calmamente e, da mesma maneira, destranquei e abri a porta. Olhei para meu visitante irritadinho de voz grave. Negro, fortão, cabeça raspada, mais de 2 metros de altura, com certeza. Era um armário. "Pois não, meu caro. O que deseja?" perguntei, com a maior educação que pude tirar de dentro de mim. "Meu chefe quer falar com você, vamos", ele respondeu, segurando meu braço e me puxando para fora de meu quarto. Troglodita. Troglodita clichê. Deve ter sido segurança de "estrelinhas" lá em cima. Será que de uma das minhas "estrelinhas"? Talvez. Ele me arrastou até uma outra cabana e, assim que a adentramos, fui jogado no chão aos pés de alguém. "Caramba, Charlie, te falei pra tratar bem o nosso convidado... afinal, ele é Vincent Carlson". Duas pequenas observações: Putz...Charlie, o nome do cara. um diminutivo. Só pode ser brincadeira comigo... e, esse desgraçado, chefe do "pequeno Charles", é ele, sim, Spike, o bebê cagão. Maldito. Chefe da segurança. Vê se pode uma coisa dessas... bom, voltando, fui ajudado a levantar pelo troglodita. Estava bravo, muito bravo, mas não podia demonstrar. Não queria ficar mais não sei quanto tempo naquele forno que chamavam de quarto. Dei de cara com aquele garoto, o Mike. Ele sorria. De forma irônica, muito provavelmente. Repito: Maldito. Agora estava se sentindo superior. Mas ele ia se ver comigo...ah, ia. Mas naquela hora não. Ele começou a falar "Vince, tenho o prazer de lhe informar que...ta daam!" naquela hora ele tentou fazer uma espécie de dancinha ridícula. Não pude deixar de rir. "O senhor está liberado para usufruir de nossa bela cidade. Ainda não demos um nome a ela, mas gosto de chamá-la, como deve se recordar, de nossa Atlântida. Isso não é mágico?". Ele agora, sem dúvidas, estava mais bebê cagão que nunca. Bom, bebê acho que é demais. Molequinho cagão, é melhor. "Me acompanhe, Sr. Carlson, por gentileza". Ele dizia, enquanto saía de sua cabana. Não tive o que fazer se não seguí-lo. "Como creio que se lembra, no dia em que você acordou, eu lhe disse que aqui adquiríamos habilidades especiais. Pois bem, ali é a área destinada para que possamos nos habituar com as habilidades adquiridas, e treinar para usá-las de forma controlada" Disse ele, apontando para um grande espaço onde meia dúzia de pessoas parecia ter saído de um daqueles desenhos animados japoneses malucos, com raios bizarros saindo das mãos. "Aliás...a sua habilidade já começou a se manifestar, Vince?". Respondi que não. Mas não era verdade. Eu, de vez em quando, ouvia algumas vozes distantes. Acho que estava com uma super audição, ou, sei lá, talvez fossem...espíritos? Enfim, continuei minha caminhada junto com aquele rapaz. "Ali fica nosso prédio de imprensa, ali, do outro lado, nosso local para adquirir mantimentos, ao lado, o prédio onde fica o dinheiro recolhido das árvores, que ficam...ali, mais adiante, e, perto delas..." parei de ouvir. Fiquei distraído com um pequeno garoto que surgia a cada segundo num lugar diferente e mais improvável que o anterior. Era uma cena ao mesmo tempo assustadora e incrível. Spike, que estava ao meu lado, notou que eu olhava o pequeno. "Ah...vejo que encontrou nosso pequeno gênio. Sem ele, não estaríamos aqui. Ele estava aqui antes de acharmos este lugar, não é incrível? Ele tem apenas 15 anos...grande garoto, grande garoto. Leonard, seu nome. Também é conhecido por nós pelo nome Transporte, pois é ele quem nos traz aqui pra baixo. Você, inclusive, foi trazido por ele. Mas, lembre-se: Nunca chamá-lo de Transporte na frente dele. Ele é um tantinho egocêntrico, e precisamos dele em paz para que ele continue colaborando conosco". Algum tempo depois, ela apareceu. A loira, Cindy, vinha correndo em minha direção. Mas, peraí, o troglodita vinha correndo atrás dela. Alguma coisa estava errada. "Sr. Carlson, Sr. Carlson...é urgente", disse a mulher, quase sem fôlego. "Sua mulher...sua mulher, senhor, e seu filho foram capturados. Capturados por nossos inimigos, lá em cima". Maldita hora em que fui trazido pra cá. Deixei minha família desprotegida. Mas esses homens, essas pessoas que estão aqui embaixo, tem que ajudar. Afinal, sou um deles agora. Merda.

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