Capítulo 2 - Mais
algumas considerações sobre meu início, que meu problema de
memória não me deixou citar antes. Ou pelo menos eu espero que
tenha sido isso.
Prometi que voltaria, e voltei. Disso vocês não podem se queixar. Eu pelo menos cumpro as promessas que faço. Ou pelo menos a maioria. Enfim, vamos lá. Onde eu parei mesmo? Ah, sim, claro, o começo de tudo. O surto na escola, o assalto à banco, a pancada na cabeça, cicatriz, hospital, blá blá blá. Lembrei. Bom... mas o que eu ia contar mesmo, agora, só pra adiar mais um pouquinho o que interessa ( É, claro, vou manter vocês presos aqui até a hora que puder) ? Ah, tá, lembrei, agora sim, vou contar, antes que aquele pessoal que parou de ler na primeira frase e voltou depois mude de ideia novamente. Eu disse anteriormente que trabalhava desde aquele dia, mas não foi bem assim, claro. Um moleque de 8 anos não ia pegar a cortina de casa, amarrar nas costas e sair por aí, salvando as pessoas, todo fodão. Era minha vontade, mas meus pais não deixaram. Pensando bem, se eles tivessem deixado, eu não ia estar aqui hoje, com certeza. É, eu sou um tanto "sem noção", acostumem-se. Acho que todos esses anos não conseguindo dormir direito por causa de pedidos de socorro em minha mente me deixaram louco. Aquela coisa, que o tio do Homem Aranha diz, na última conversa com ele antes de morrer. "Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades". Responsabilidades que eu sabia que existiam, mas não pude assumir de imediato. E isso me frustrava. Foi quando apareceu um velhinho sinistro, um tempo depois, sei lá, uns dois, três anos, lá em casa, dizendo que iria me preparar para assumir minhas responsabilidades, e que possuía um dom, que iria ajudar o mundo. Meu sonho. Claro, não salvar o mundo, porque, me perdoem a sinceridade, mas eu não estou nem aí pro resto do mundo. Ninguém se importa com os outros nesse planetinha miserável, mesmo. Enfim, voltando... meu sonho, era aprender a utilizar minhas habilidades. Não só pra poder dormir em paz, mas também porque, vamos lá, era legal ser o único da turma que fazia algo de interessante. E lá fui eu, saí da casa dos meus velhos, e fui morar com o mais velho. Foi bacana, devo admitir, o tempo que lá passei. O velho possuía uma habilidade um tanto.. sinistra. Ele podia ter qualquer coisa, se mentalizasse. Inclusive... matar. Eu vi, uma vez, Boris matando um funcionário, por algum motivo que até hoje desconheço. Ele me ensinou a controlar as vozes na minha cabeça, e a lutar, também. Reconheço agora que ele fracassou na última parte, mas, pelo menos, me ajudou, o coroa. Passei 5 anos em treinamento, até começar a agir 'profissionalmente" como Radar. Isso já faz 15 anos... caramba, como o tempo passa rápido. Falando nisso... nunca mais vi o coroa. Será que ainda está vivo?
Capítulo 3 - E agora, Vambora?
Passado todo aquele blá blá blá do início de minha carreira, vamos ao que interessa. Ou não, se você não quer saber. O que eu sinceramente duvido, perdoe-me a falta de modéstia. Vocês querem sim, saber da minha vida. Porque ela é mais interessante que as vidas de vocês. Me desculpem, mas é a verdade. Agora que irritei muitos e talvez tenha feito rir alguns outros poucos, vou parar de enrolar. Mas, para isso, vou ter que voltar no tempo, mais uma vez. Não se irritem, é só um pouquinho. Voltar ao ponto em que deixei a casa do velho, com meus 15 anos, há 15 anos atrás (Eu já disse que sou velho). O que eu fiz, quando saí de lá? Voltei pra minha casa? Não. Nunca mais voltei. Nunca mais vi meus pais. Mas creio que estão vivos. Pelo menos, nunca ouvi nenhum chamado deles, então prefiro acreditar que estão seguros. Bom, e o que eu fiz, então? O que me restava. Morar nas ruas. Não era fácil, ser um adolescente mascarado com poderes, que mal sabia quem era. É. Depois que saí da casa do velho, eu passei a ser o Radar 24 horas por dia. Passei 5 anos só sendo chamado de Radar. Tanto que esqueci meu nome. Ou talvez tenha esquecido antes, com aquela pancada, naquele tempo que passei no hospital, vocês sabem do que estou falando. Enfim.. O velho dizia que eu deveria esquecer toda minha vida de antes, e foi o que fiz. Sou Radar, apenas Radar, desde então. Voltando, mais uma vez, passei meses perambulando sozinho pelas esquinas dessa cidade imunda, resolvendo os problemas de todos, menos os meus. Ás vezes algumas pessoas que eu havia ajudado me deixavam dormir em suas casas, comer de sua comida, mas não era tão legal assim. Eu me acostumava com aquelas pessoas, e ia embora logo depois, pra resolver os crimes. Chegava a passar dias sem comer direito. É, não é fácil, essa vida de super herói. Crianças, não tentem isso em casa. Mas isso mudou quando ajudei uma garota, que também era super poderosa. Julie, seu nome. Era legal, tinha uma habilidade interessante (Ela podia fazer as pessoas apagarem por algumas horas, apenas com um toque, quando quisesse) e... era uma gata. Os pais dela me deixaram morar na casa deles por dois, três anos, e foi um bom tempo, tirando o fato de Julie nunca ter me dado bola, embora eu tentasse algo, a cada semana. Bom, era o que eu pensava. Quando comuniquei que estava para ir embora, ela ficou diferente, estranha. Isso significava alguma coisa, embora, na época, eu, lerdo que sempre fui, não tivesse notado. Na minha última noite lá, fui acordado, por ela, dizendo que, se eu fosse embora mesmo, ela queria ir junto, com uma mala na mão. Ela estava louca, claro. Mas não desistiu. Surpreendeu os pais na manhã seguinte, quando comunicou que também iria embora, junto comigo, enquanto eu cruzava a porta. Passou por mim, chorando, e parou em minha frente, do lado de fora de sua casa. "E agora, vambora?", ela perguntou. E lá fomos nós, dois jovens sozinhos pelas ruas. Passamos duas semanas assim, só nós dois, resolvendo os crimes, juntos. Era bem mais fácil lutar quando alguém que fazia os inimigos dormirem estava do seu lado. Até que um dia eu acordei, e ela havia sumido. Nenhum bilhete dizendo para onde tinha ido, nem nada. Ela havia ido embora e levado todos os seus pertences. Nunca mais a vi.
Prometi que voltaria, e voltei. Disso vocês não podem se queixar. Eu pelo menos cumpro as promessas que faço. Ou pelo menos a maioria. Enfim, vamos lá. Onde eu parei mesmo? Ah, sim, claro, o começo de tudo. O surto na escola, o assalto à banco, a pancada na cabeça, cicatriz, hospital, blá blá blá. Lembrei. Bom... mas o que eu ia contar mesmo, agora, só pra adiar mais um pouquinho o que interessa ( É, claro, vou manter vocês presos aqui até a hora que puder) ? Ah, tá, lembrei, agora sim, vou contar, antes que aquele pessoal que parou de ler na primeira frase e voltou depois mude de ideia novamente. Eu disse anteriormente que trabalhava desde aquele dia, mas não foi bem assim, claro. Um moleque de 8 anos não ia pegar a cortina de casa, amarrar nas costas e sair por aí, salvando as pessoas, todo fodão. Era minha vontade, mas meus pais não deixaram. Pensando bem, se eles tivessem deixado, eu não ia estar aqui hoje, com certeza. É, eu sou um tanto "sem noção", acostumem-se. Acho que todos esses anos não conseguindo dormir direito por causa de pedidos de socorro em minha mente me deixaram louco. Aquela coisa, que o tio do Homem Aranha diz, na última conversa com ele antes de morrer. "Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades". Responsabilidades que eu sabia que existiam, mas não pude assumir de imediato. E isso me frustrava. Foi quando apareceu um velhinho sinistro, um tempo depois, sei lá, uns dois, três anos, lá em casa, dizendo que iria me preparar para assumir minhas responsabilidades, e que possuía um dom, que iria ajudar o mundo. Meu sonho. Claro, não salvar o mundo, porque, me perdoem a sinceridade, mas eu não estou nem aí pro resto do mundo. Ninguém se importa com os outros nesse planetinha miserável, mesmo. Enfim, voltando... meu sonho, era aprender a utilizar minhas habilidades. Não só pra poder dormir em paz, mas também porque, vamos lá, era legal ser o único da turma que fazia algo de interessante. E lá fui eu, saí da casa dos meus velhos, e fui morar com o mais velho. Foi bacana, devo admitir, o tempo que lá passei. O velho possuía uma habilidade um tanto.. sinistra. Ele podia ter qualquer coisa, se mentalizasse. Inclusive... matar. Eu vi, uma vez, Boris matando um funcionário, por algum motivo que até hoje desconheço. Ele me ensinou a controlar as vozes na minha cabeça, e a lutar, também. Reconheço agora que ele fracassou na última parte, mas, pelo menos, me ajudou, o coroa. Passei 5 anos em treinamento, até começar a agir 'profissionalmente" como Radar. Isso já faz 15 anos... caramba, como o tempo passa rápido. Falando nisso... nunca mais vi o coroa. Será que ainda está vivo?
Capítulo 3 - E agora, Vambora?
Passado todo aquele blá blá blá do início de minha carreira, vamos ao que interessa. Ou não, se você não quer saber. O que eu sinceramente duvido, perdoe-me a falta de modéstia. Vocês querem sim, saber da minha vida. Porque ela é mais interessante que as vidas de vocês. Me desculpem, mas é a verdade. Agora que irritei muitos e talvez tenha feito rir alguns outros poucos, vou parar de enrolar. Mas, para isso, vou ter que voltar no tempo, mais uma vez. Não se irritem, é só um pouquinho. Voltar ao ponto em que deixei a casa do velho, com meus 15 anos, há 15 anos atrás (Eu já disse que sou velho). O que eu fiz, quando saí de lá? Voltei pra minha casa? Não. Nunca mais voltei. Nunca mais vi meus pais. Mas creio que estão vivos. Pelo menos, nunca ouvi nenhum chamado deles, então prefiro acreditar que estão seguros. Bom, e o que eu fiz, então? O que me restava. Morar nas ruas. Não era fácil, ser um adolescente mascarado com poderes, que mal sabia quem era. É. Depois que saí da casa do velho, eu passei a ser o Radar 24 horas por dia. Passei 5 anos só sendo chamado de Radar. Tanto que esqueci meu nome. Ou talvez tenha esquecido antes, com aquela pancada, naquele tempo que passei no hospital, vocês sabem do que estou falando. Enfim.. O velho dizia que eu deveria esquecer toda minha vida de antes, e foi o que fiz. Sou Radar, apenas Radar, desde então. Voltando, mais uma vez, passei meses perambulando sozinho pelas esquinas dessa cidade imunda, resolvendo os problemas de todos, menos os meus. Ás vezes algumas pessoas que eu havia ajudado me deixavam dormir em suas casas, comer de sua comida, mas não era tão legal assim. Eu me acostumava com aquelas pessoas, e ia embora logo depois, pra resolver os crimes. Chegava a passar dias sem comer direito. É, não é fácil, essa vida de super herói. Crianças, não tentem isso em casa. Mas isso mudou quando ajudei uma garota, que também era super poderosa. Julie, seu nome. Era legal, tinha uma habilidade interessante (Ela podia fazer as pessoas apagarem por algumas horas, apenas com um toque, quando quisesse) e... era uma gata. Os pais dela me deixaram morar na casa deles por dois, três anos, e foi um bom tempo, tirando o fato de Julie nunca ter me dado bola, embora eu tentasse algo, a cada semana. Bom, era o que eu pensava. Quando comuniquei que estava para ir embora, ela ficou diferente, estranha. Isso significava alguma coisa, embora, na época, eu, lerdo que sempre fui, não tivesse notado. Na minha última noite lá, fui acordado, por ela, dizendo que, se eu fosse embora mesmo, ela queria ir junto, com uma mala na mão. Ela estava louca, claro. Mas não desistiu. Surpreendeu os pais na manhã seguinte, quando comunicou que também iria embora, junto comigo, enquanto eu cruzava a porta. Passou por mim, chorando, e parou em minha frente, do lado de fora de sua casa. "E agora, vambora?", ela perguntou. E lá fomos nós, dois jovens sozinhos pelas ruas. Passamos duas semanas assim, só nós dois, resolvendo os crimes, juntos. Era bem mais fácil lutar quando alguém que fazia os inimigos dormirem estava do seu lado. Até que um dia eu acordei, e ela havia sumido. Nenhum bilhete dizendo para onde tinha ido, nem nada. Ela havia ido embora e levado todos os seus pertences. Nunca mais a vi.
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