domingo, 25 de setembro de 2016

Nunca teve um nome. Continuará a não ter - Parte 8

Jackson e eu trabalhamos por alguns dias, o que não era de todo ruim. De fato, foi até legal, ter dias normais, depois das últimas semanas. Só o fato dele não dormir que era bizarro, mas, enfim.. Uma coisa me incomodava, lá no fundo. 8 dias haviam se passado, e nada de Roxanne. Nenhuma notícia, e não tinha como manter contato. E, também, eu não sabia no que estava trabalhando. O velho não me disse. Eu só tinha uma certeza: Tava muito, mas muito fodido. Mas, não tive escolha. Trabalhamos por mais 3 dias, até que, na manhã do quarto, fui acordado por gritos de "finalmente!", vindos do velho. Naquele dia, eu sabia, ia saber em que merda eu tinha me metido. "Terminei, finalmente, o maior projeto da minha longa vida, Nichols. Finalmente, eu vou poder fazer o que semp..." Batidas na porta. Batidas violentas na porta. "Richard Jackson, saia daí, você está preso!" Ai, caralho... ele mesmo, Buchanan, aquele puto. Eu não disse que tava fodido? O velho correu pra dentro de seus aposentos, trancando a porta, com o frasquinho com um líquido esverdeado na mão. Maldito. Ia me deixar ali, pra ser preso sozinho. A porta caiu. Buchanan adentrou a sala, olhando para todos os lados, com o revólver em punho. Demorou um tempo pra me perceber ali, mas, quando me viu, ah... "Steve Nichols? Aqui? Hoje é meu dia de sorte.. Quer que eu leia as acusações primeiro?" Viadinho. "Não, babaca, não precisa, eu me entr... Roxanne, o que faz aqui? E o que faz com esse colete à prova de balas?" Eu não tava entendendo mais porra nenhuma. "Buchanan, larga a arma. Nichols é o nosso homem" QUÊ?! Seria Buchanan o tal amigo dela? "Sim, Steve.. Buchanan é o meu contato. Ele também é um imortal.. Mas não um ser com poderes. Ele... tem o objetivo de nos caçar até a morte.. Bom, tinha, depois que.. nós fizemos um trato" Puta. Pra quem ela não deu, nessa merda? "Depois conversamos mais sobre isso. Temos problemas mais urgentes, agora", ela disse, nos olhando e apontando para a porta da "sala secreta" do velhinho Jackson. De lá, ouviam-se gritos de dor. Muitos gritos. Buchanan e outros dois homens dele correram à porta, e a derrubaram. Assim, pude ver de onde vinham os gritos. O velho se contorcia no chão, e começava a ficar com a pele esquisita, numa coloração cinzenta. E aumentava de tamanho. Aumentava muito de tamanho. Jackson, o velho, deu lugar a Jackson, um cara cinza de dois metros e meio de altura. Só uma coisa. Fodeu. De vez. Buchanan e seus homens imediatamente começaram a atirar, mas o monstrengão apenas ria. Foi então que me lembrei de uma coisa. A arma que Roxanne havia me dado de presente. "A Arma que poderia matar qualquer criatura". Mas, onde ela estava? Procurei no meu bolso, não estava lá. Só podia estar no meu quarto, mas, como chegar lá? Nesse momento, o laboratório tava quase todo destruído, o monstrengão aloprado batendo em tudo. Comecei a correr, desviando das dezenas de balas que eram disparadas no monstro que corria atrás de mim, e consegui chegar no quarto. Fui diretamente com as mãos para baixo do travesseiro. A pistola estava lá. Mas, ainda, precisava estar a uma distância segura de Jackson. Roxanne correu até ele, e, não sei como, conseguiu deixá-lo tonto arremessando um pedaço de madeira na sua cabeça. Ela devia ter muita força. Coisa de imortal, imagino. Aproveitei a distração, corri mais um pouco, e mirei na cabeça do monstro, que agora estava encostado em uma parede. Disparei. A bala atravessou o cômodo, e atravessou a testa de Richard Jackson. O grandão havia morrido. Todos os policiais olhavam surpresos pra mim. "Não precisam me agradecer", eu disse, guardando a pistola no bolso, e saindo do laboratório, como se eu não estivesse coberto de poeira, da bagunça que havia acabado de ocorrer.

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