domingo, 25 de setembro de 2016

Nunca Confie em Agências de Espionagem - Parte 1

Eu sou Thomas, mas pode me chamar de Tom, se quiser. Se não quiser, também, tudo bem. Atendo de todas as formas. E, bom, não tenho muito o que dizer além de "Sou um escritor". Não profissional - aliás, não tenho emprego -, levo isso como um hobby. Alguns me dizem que levo jeito, mas eu discordo. E, pelo jeito, as editoras também. Mas ainda quero lançar meu livro, um dia. E agora alguém deve se perguntar, aí, em algum canto: Como esse cara paga as contas? Ele mora debaixo da ponte? Bom.. Devo dizer que tenho bons amigos. Embora não os mereça tanto. Laurie, a dona original da casa e melhor amiga dos últimos 5 anos - Desde que me deixou morar aqui, claro -, Paul, um velho amigo dos tempos de colégio, e Kelly, a namorada dele. Ou noiva, sei lá. Nada contra a Kelly, e muito menos contra o camarada Paul, mas gostava mais quando éramos eu e Laurie apenas. Antes que alguém pense qualquer coisa errada, não rola nada entre nós dois. Houve um tempo em que eu queria sim, mas desisti depois. Não daria certo. A gente só funciona assim, como amigos. Ou talvez nem tanto assim, mas tá bom do jeito que é. Apesar das discussões idiotas que acontecem algumas vezes, é divertido morar com ela. É bom. Não teria graça nenhuma, sem as briguinhas bobas de vez em quando. Paul veio morar conosco há uns 2 anos, já com Kelly. O louco largou a banda dele e bateu na porta dizendo "Eu e Kelly vamos casar". É óbvio que eu achei que fosse piada. E até hoje acho. Nada de casório, os dois ainda moram aqui, Paul entrou em outra banda.. Mas tudo bem, tudo bem. Eles pelo menos ajudam na casa. Não sei como Laurie não me matou ainda. Talvez por ter me salvado uma vez, ela pense que me matar seria muita sacanagem.. É, deve ser isso. Nos conhecemos logo na primeira semana de faculdade, mas só fomos nos conhecer mesmo no terceiro ano. Nos odiávamos. Foi quando, na festa pós formatura um tempo depois, eu, o imbecil que não sabe beber, tive um treco. Foi complicado, foi complicado. E ela me salvou. Até hoje não sei o motivo, mas ela me salvou. Me levou ao hospital e ficou por perto até que eu estivesse recuperado. Ficamos amigos, muito amigos. Viajei pelo mundo por um ano, na intenção de descobrir o que eu queria da vida, e me dei conta de que... Não queria nada além de escrever. Mas, claro, eu já sabia na época, não ia ser fácil. E não foi, e não é. E, claro, logo eu não tinha mais pra onde ir. Tive que apelar pra única pessoa que havia ficado nos Estados Unidos. E inacreditavelmente, ela me acolheu. Por sorte maior, ela é de família rica, então não se importou com minha falta de emprego. É claro que eu queria ajudar, me incomodo bastante com essa situação, mas ela diz que está tudo bem, então não vou forçar nada. Não, não pensem que sou um folgado. Continuo a procurar empregos, continuo enviando meu livro para editoras, mas nada dá certo. Não sei, talvez eu tenha nascido a pior pessoa do Universo. Ou a quase pior. Pelo menos, ainda tenho alguém que salvou a minha vida, um amigo de infância e.. e alguém que eu não conheço muito bem.

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