domingo, 25 de setembro de 2016

Radar - Parte 1

Há muito tempo, numa galáxia muito, muito dist... Não, não, foi aqui mesmo, na Terra. E faz um mês, mais ou menos. Então, ignorem aquele comecinho. Enfim... Alguns podem não acreditar, alguns outros (talvez todos) podem rir, mas eu sou um super herói. É. Super Herói. Com direito à capa, e tudo mais. Tá, admito, não sou tão Herói assim. Só um pouquinho "Super". Me deixem me gabar um pouco, ora bolas. Eu tenho poderes, e vocês não. Tá, conheço alguns outros humanos com habilidades únicas, mas deixemos isso pra depois (Faz parte do clímax da história, que graça tem contar agora, não é?). Descobri minhas habilidades logo cedo, com meus 7, 8 anos. Agora, aqueles que começaram a rir ali em cima, já devem ter se controlado, e devem estar se perguntando que porcarias de habilidades eu possuo. Acalmem-se, lhes digo já. Eu consigo sentir onde crimes ocorrem. Eu sei, só sirvo como radar, não tenho lá muita habilidade na hora da pancadaria, mas eu tento, sou esforçado, me dêem um desconto. Bom... e daí?, vocês se perguntam agora, com certeza. E daí que, como eu disse acima, faz mais ou menos um mês, crimes horrendos começaram a ocorrer aqui, em minha cidade. Coisas estranhas demais. E, o mais estranho, é que eu não consigo sentir nada. Algo bloqueia meus poderes, aparentemente. Na verdade, me perdoem, isto não é o mais estranho. O mais estranho, de verdade, é que alguns crimes são evitados, e não por mim. É, pois é. Quem ousa tomar meu lugar? Eu ainda não sei direito.. sei que é um grupo, um tanto sinistro, que se intitulam "Os Salva Vidas". Nomezinho ridículo, mas eles até que são bons. Bons. Bem bons. Tá, admito, melhores, bem melhores que eu. Eu preciso achar esses caras. Talvez trabalhar com eles, sei lá. Só sei que não posso ficar parado. Não tenho emprego, não tenho família... ganho um dinheirinho da polícia, quando os ajudo, apenas. E, claro, meus fãs. Não posso decepcionar meus... A quem estou querendo enganar? O Radar não tem fãs. O Radar não tem nada. O Radar só quer salvar sua carreira fracassada de super herói que salva gatinhos em árvores.

Capítulo 1 - O começo... eu acho.
 Bom, como todos sabem, todo herói que se preza tem uma origem bacana. Não que ter os pais mortos ou acabar entrando num local cheio de radiação seja bacana, mas é.. interessante, no mínimo. Pelo menos, mais interessante que minha origem. É, além do meu poder ridículo, minha origem é ridícula. Pra falar a verdade, eu não lembro muito bem como foi. Sei lá, um dia, estava eu, uma pobre criança em idade escolar, brincando com os amiguinhos, quando veio um grito. Dentro da minha cabeça. "Putz, deu merda", eu pensei na hora. Mentira. Na minha época, criança não pensava essas coisas, mas, se fosse hoje, certamente eu pensaria isso. Putz, deu merda. E deu merda mesmo. Pelo menos pra mim. Não me lembro direito, mas me contam que eu surtei, no pátio do colégio. Imaginem uma criança esperneando, por não entender o que tava acontecendo. Imaginaram? Pois bem... não era assim que eu estava. Desde garoto eu sou meio... como posso dizer? Transgressor. Nunca gostei de seguir regras. Irônico, não? Enfim, voltando ao relato da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais. Olha só, eu fazendo poesia. Me perdoem novamente, eu divago demais. Como eu dizia... Eu acabei fugindo da escola. É, isso aí, um molequinho de 8 anos pulou o muro e achou que poderia lidar com bandidos. Essas crianças que se acham o Batman... aiai. Pois bem, graças àquilo que eu não entendia na época, cheguei no local, mesmo sem saber direito como. Até hoje não entendo, mas acostumei. Assalto à banco. Que merda. 4 caras gigantescos, armados, invadindo um banco, e um moleque baixinho, magricelo e desengonçado querendo fazer algo. E aquele moleque FEZ algo. Loucura, mas é verdade. Em 2 minutos, lá estava eu, dando pisões nos pés dos caras. Me apagaram depois, claro. Ainda tenho a cicatriz da metralhadora que um dos retardados bateu na minha cabeça. Acordei algumas semanas depois, numa cama de hospital, sem conseguir lembrar de metade da minha curta vida, até então. Mas, acho que até me saí bem. Soube que os caras foram presos. O crime dos brutamontes tatuados foi meu primeiro trabalho. Meu primeiro crime solucionado. Trabalho desde então, com isso. Depois eu volto, e conto mais. Quero deixá-los curiosos, vocês sabem disso.

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