domingo, 25 de setembro de 2016

A Morte Dirige uma Van - Parte 3

E Larry se demitiu. Mas, como ele já não tinha o que fazer mesmo, ficou por ali, não teve despedida, choradeira, coisa nenhuma. Mortos não choram, mesmo. "Ah, Meu Deus, quem vai buscar os mortos agora?!", alguém deve estar perguntando agora. Ou não. Mas dane-se, vou falar mesmo assim. Larry não era a única morte. CLARO que não. Várias pessoas ao redor do mundo morrem ao mesmo tempo a cada minuto, e existe uma equipe pra cuidar disso. Não sei bem como é feita a divisão entre eles, mas isso não me interessa muito. O que me interessa mesmo é saber como eu entro nessa parada. E logo descobri. Uma prova. Escrita. Cacete, nem morto eu me livro disso? Qual o propósito?! "É só pra zoar os candidatos. O que decide se tu vai ou não entrar é a escolha da equipe, camaradinha.. Relaxa", Disse Larry. Isso significa minha entrada imediata na equipe? Claro que não. Nem conhecia os outros caras, ainda. E a prova só ia ocorrer em dois meses. Larry, uma vez, me levou até o andar de baixo, pra uma... Casa noturna. Um verdadeiro "inferninho". E lá conheci os outros caras. 4 camaradas. Tudo começou até que bem, quando um dos caras, o único que em vez de falar algo ficava me encarando feito um retardado, finalmente disse algo. "Eu peguei a tua mãe". Filho da puta. Minha reação foi, é claro, avançar no maldito. Ninguém fala da minha mãe, que o cara lá de cima a tenha. Depois de ter dado uns 4 ou 5 socos no imbecil, fui contido facilmente por só um deles, o grandão, Brutus. É, aquele que matou o César, e tal. O maior e mais antigo da equipe Mortal. "Caralho, cara, isso é coisa pra se dizer na frente do garoto?" "Mas, mas eu.. Realmente peguei a mãe dele" E eu olhei pra cara do cara que tinha acabado de socar. Elvis Presley, simplesmente. Elvis Presley pegou minha mãe. E Larry estava gargalhando, enquanto eu, Brutus, Presley, e os outros dois caras - Jack, o estripador, o que fazia muito sentido, e Gandhi, o que não fazia sentido algum - olhávamos pra ele, tentando entender o que se passava naquela cabeça de hippie maconheiro. Quando finalmente parou de rir, ele começou a falar. "Relaxa aí, brou.. Presley não PEGOU a sua mãe, moleque. Ele quis dizer que foi ele quem a transportou pra esse lado.." E eu pedi desculpas a Elvis Presley, mesmo que ele não tenha sentido nenhum dos socos. Bebemos, conversamos e rimos por várias horas, e eu até me diverti com uma diabinha, por um tempo. A vaga já era minha, certeza. Mas ainda faltava um mês pra tal "prova de zoação". E eu descobri que não era tão "de zoação" assim. Só os com maiores notas entravam na votação do time. Filhos da puta. Agora que não tenho mais vida, a morte tá me fodendo. Pior que, uma semana antes, um nerdzinho de informática chegou, trazido pelo grandalhão. Muitas horas sem sair da frente do computador, sem beber água, o imbecil não aguentou. E o merdinha soube da vaga. E quis entrar, claro. O que me ajudou foi o fato de que Larry iria montar a prova, dessa vez. Consegui as respostas em troca de ter arrumado umas drogas com Lúcifer - Que é até gente boa, mas meio esquentadinho - e passei na prova com nota máxima. O quatro olhos também passou. Mas, claro, eu fui escolhido pelo time. E aí eu peguei o capuz, a foice e fui pegar almas, certo? Errado. Totalmente errado. "E aí, meu camaradinha.. Antes de tu começar as paradas... Três meses de estágio, beleza?" E foi então que me tornei Johnny, o estagiário de Larry, A Morte Hippie Aposentada.

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