E Larry se demitiu.
Mas, como ele já não tinha o que fazer mesmo, ficou por ali, não
teve despedida, choradeira, coisa nenhuma. Mortos não choram, mesmo.
"Ah, Meu Deus, quem vai buscar os mortos agora?!", alguém
deve estar perguntando agora. Ou não. Mas dane-se, vou falar mesmo
assim. Larry não era a única morte. CLARO que não. Várias pessoas
ao redor do mundo morrem ao mesmo tempo a cada minuto, e existe uma
equipe pra cuidar disso. Não sei bem como é feita a divisão entre
eles, mas isso não me interessa muito. O que me interessa mesmo é
saber como eu entro nessa parada. E logo descobri. Uma prova.
Escrita. Cacete, nem morto eu me livro disso? Qual o propósito?! "É
só pra zoar os candidatos. O que decide se tu vai ou não entrar é
a escolha da equipe, camaradinha.. Relaxa", Disse Larry. Isso
significa minha entrada imediata na equipe? Claro que não. Nem
conhecia os outros caras, ainda. E a prova só ia ocorrer em dois
meses. Larry, uma vez, me levou até o andar de baixo, pra uma...
Casa noturna. Um verdadeiro "inferninho". E lá conheci os
outros caras. 4 camaradas. Tudo começou até que bem, quando um dos
caras, o único que em vez de falar algo ficava me encarando feito um
retardado, finalmente disse algo. "Eu peguei a tua mãe".
Filho da puta. Minha reação foi, é claro, avançar no maldito.
Ninguém fala da minha mãe, que o cara lá de cima a tenha. Depois
de ter dado uns 4 ou 5 socos no imbecil, fui contido facilmente por
só um deles, o grandão, Brutus. É, aquele que matou o César, e
tal. O maior e mais antigo da equipe Mortal. "Caralho, cara,
isso é coisa pra se dizer na frente do garoto?" "Mas, mas
eu.. Realmente peguei a mãe dele" E eu olhei pra cara do cara
que tinha acabado de socar. Elvis Presley, simplesmente. Elvis
Presley pegou minha mãe. E Larry estava gargalhando, enquanto eu,
Brutus, Presley, e os outros dois caras - Jack, o estripador, o que
fazia muito sentido, e Gandhi, o que não fazia sentido algum -
olhávamos pra ele, tentando entender o que se passava naquela cabeça
de hippie maconheiro. Quando finalmente parou de rir, ele começou a
falar. "Relaxa aí, brou.. Presley não PEGOU a sua mãe,
moleque. Ele quis dizer que foi ele quem a transportou pra esse
lado.." E eu pedi desculpas a Elvis Presley, mesmo que ele não
tenha sentido nenhum dos socos. Bebemos, conversamos e rimos por
várias horas, e eu até me diverti com uma diabinha, por um tempo. A
vaga já era minha, certeza. Mas ainda faltava um mês pra tal "prova
de zoação". E eu descobri que não era tão "de zoação"
assim. Só os com maiores notas entravam na votação do time. Filhos
da puta. Agora que não tenho mais vida, a morte tá me fodendo. Pior
que, uma semana antes, um nerdzinho de informática chegou, trazido
pelo grandalhão. Muitas horas sem sair da frente do computador, sem
beber água, o imbecil não aguentou. E o merdinha soube da vaga. E
quis entrar, claro. O que me ajudou foi o fato de que Larry iria
montar a prova, dessa vez. Consegui as respostas em troca de ter
arrumado umas drogas com Lúcifer - Que é até gente boa, mas meio
esquentadinho - e passei na prova com nota máxima. O quatro olhos
também passou. Mas, claro, eu fui escolhido pelo time. E aí eu
peguei o capuz, a foice e fui pegar almas, certo? Errado. Totalmente
errado. "E aí, meu camaradinha.. Antes de tu começar as
paradas... Três meses de estágio, beleza?" E foi então que me
tornei Johnny, o estagiário de Larry, A Morte Hippie Aposentada.
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