segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O Livro dos Enigmas - Parte 3

Duas semanas se passaram, desde aquele dia da van escura. Aquele moleque meio maluco veio me falar de sociedades secretas, mundos perfeitos e não sei quê, mas, a cada dia, menos eu acreditava nisso. Eu tô esse tempo todo preso nesse maldito quarto. Não via mais ninguém. Só uma mão, que deixava as refeições por um espacinho que tinha na porta. Não sei, mas acho que a mão é daquela loira...Cindy, acho, o nome dela. É, belo nome...enfim, tenho outras coisas pra resolver no momento. Continuo preso. Não tem nada pra fazer, só um livro velho aqui jogado, que não sei de quem é, de onde veio, e porque está aqui. Alguém deve ter esquecido. Bom...nunca gostei de ler, mesmo. Irônico, pra um filho de escritor. Não, não era só um escritor. Toda a imprensa do planeta fazia questão de dizer que ele era "Rick Carlson, o escritor mais influente da Europa do último século". Ei, espera aí...aquele livro velho...é dele. Não é um dos mais aclamados, mas é dele. É o primeiro livro de uma saga fantasiosa, cujo personagem principal era uma criança, acho. Nunca li. Mas foi uma pena ele não ter terminado a série. Ele morreu trabalhando no segundo volume. Resolvi dar uma olhada no tal livro. Estava meio velho, algumas páginas soltas, e uns rabiscos, em cada página, quase. Fui passando rapidamente as páginas, quando, de repente, li meu nome. Não era coincidência, não. Ele pôs meu nome em um personagem por alguma razão. Resolvi ler o parágrafo marcado. Era a descrição do personagem. "Thomas olhou para o homem. Seu nome era Vincent, dizia-se. Tinha feições carrancudas, sérias, e, à primeira vista, parecia um homem mau. Mas, apenas à primeira vista. Quando começou a discursar para o restante dos homens e para o menino que ali estava, iniciou com uma piada. Thomas soube que aquele homem era querido por todos, mas considerado um tanto louco. Acreditava numa civilização escondida, civilização que ele dizia ser perfeita. Que traria paz e prosperidade para quem nela habitasse. Seus camaradas riam de tal história. Mas, Thomas não. Thomas acreditava naquele homem. Pois Thomas também havia estado lá". Meu velho era louco...ou será que um sábio? De certa forma, ele viu o futuro. Narrou que aquele homem havia visitado um local mágico. Aquele homem sou eu. E estou aqui, no lugar mágico. Passei mais 3 dias trancafiado naquele quarto, dias nos quais terminei a leitura do livro. Encontrei outras mensagens ali, mas depois as escreverei aqui. Agora, devo encontrar-me com o chefe do local. Cindy, aquela loira bonita, veio me chamar. Disse-me que era urgente.

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