E lá estava eu, no meio duma floresta imensa, com
um moleque. Um moleque que se transporta pra onde quiser, desde que
ele conheça um lugar. Bosta. Ele nasceu lá naquela cidade de baixo,
não conhece nada aqui. E agora? Bom, e agora que... fodeu. Preciso
chegar em Londres o mais rápido possível. Pessoas que amo correm
perigo. Preciso salvá-las, já. Mas como? Merda. Eu, como sempre,
faço as coisas sem pensar direito. Mas, espera aí, eu não estou
sozinho. Será que se eu chamar, ele vem? Bom, não custa tentar.
Antes que eu pudesse pensar numa maneira de fazer isso, a voz dele
surgiu. "Olá, Vincent. Eu sei exatamente o que você quer. E,
por sorte, há solução. O garoto não precisa ter estado no lugar,
para conhecê-lo. Só precisa ver uma parte, e nem precisa ser de
verdade. Pode ser por foto, talvez. Meu livro, aquele que estava em
sua cabana, possui uma imagem do Big Ben. Sei que você não está
com o livro aí, mas tem uma página, guardada em seu bolso. Por
sorte, é esta, a página". Velho desgraçado. Até morto, sabia
das coisas. Tirei a foto do bolso, e fui até o garoto. "Ei,
moleque, você pode nos levar a este lugar? Hein? Pode?". Não
podia perder tempo. Qualquer segundo era precioso. O garoto, sem nada
dizer, encostou em meu braço e, em segundos, estávamos na frente do
Big Ben. Sorte minha que aquele era um moleque curioso para conhecer
o mundo. Ponto a meu favor.
Bom... mais ou menos. Eu continuava tão perdido quanto antes. Não sabia pra onde ir, e agora estava em maior perigo. Se, quem queria cuidar de mim me vigiou quase a vida toda, quem queria me matar no mínimo fazia o mesmo. Eles podem estar em qualquer lugar. Podem ser qualquer um. E, o pior. Eu nem imaginava quem poderiam ser. Infelizmente, descobri logo. Eu e o moleque. Levaram ele também. Uma van preta. OUTRA van preta. Que falta de originalidade, meu Deus. Vans pretas... discretas, não? Enfim, cobriram meu rosto com um pano escuro e me apagaram, com uma porrada na cabeça. Quando acordei, estava sendo levado numa maca, não sei pra onde. Parecia uma sala de cirurgia, mas não haviam médicos, psicopatas, e menos ainda aliens. Meu cérebro e meus órgãos continuariam intactos, por enquanto. Pelo menos isso. Meus braços e pernas foram amarrados na cama em que fui colocado, e lá fiquei, sozinho, amarrado, e gritando feito louco, por horas, ou dias, não sei bem. Certa hora, tomei um susto. Uma voz, dizendo meu nome. " Carlson.... Vincent Carlson". Por quê será que gostavam tanto de dizer meu nome? Será que era tão sonoro assim? " Há quanto tempo não nos vemos, hein, garoto... Vou te desamarrar. Somos dois homens velhos, podemos conversar de forma civilizada". Enquanto eu me levantava, com dificuldade, olhei para a minha frente. E lá estava ele. Velho, calvo, e com aquele sorriso que herdei. Meu velho pai morto, ressurgido das cinzas? Não. Na minha frente, estava um homem que eu não via desde jovem. Ronald Carlson, irmão gêmeo de meu pai. Tão filho da puta quanto o velho morto.
Bom... mais ou menos. Eu continuava tão perdido quanto antes. Não sabia pra onde ir, e agora estava em maior perigo. Se, quem queria cuidar de mim me vigiou quase a vida toda, quem queria me matar no mínimo fazia o mesmo. Eles podem estar em qualquer lugar. Podem ser qualquer um. E, o pior. Eu nem imaginava quem poderiam ser. Infelizmente, descobri logo. Eu e o moleque. Levaram ele também. Uma van preta. OUTRA van preta. Que falta de originalidade, meu Deus. Vans pretas... discretas, não? Enfim, cobriram meu rosto com um pano escuro e me apagaram, com uma porrada na cabeça. Quando acordei, estava sendo levado numa maca, não sei pra onde. Parecia uma sala de cirurgia, mas não haviam médicos, psicopatas, e menos ainda aliens. Meu cérebro e meus órgãos continuariam intactos, por enquanto. Pelo menos isso. Meus braços e pernas foram amarrados na cama em que fui colocado, e lá fiquei, sozinho, amarrado, e gritando feito louco, por horas, ou dias, não sei bem. Certa hora, tomei um susto. Uma voz, dizendo meu nome. " Carlson.... Vincent Carlson". Por quê será que gostavam tanto de dizer meu nome? Será que era tão sonoro assim? " Há quanto tempo não nos vemos, hein, garoto... Vou te desamarrar. Somos dois homens velhos, podemos conversar de forma civilizada". Enquanto eu me levantava, com dificuldade, olhei para a minha frente. E lá estava ele. Velho, calvo, e com aquele sorriso que herdei. Meu velho pai morto, ressurgido das cinzas? Não. Na minha frente, estava um homem que eu não via desde jovem. Ronald Carlson, irmão gêmeo de meu pai. Tão filho da puta quanto o velho morto.
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