domingo, 25 de setembro de 2016

Nunca Confie em Agências de Espionagem - Parte 2

"Tommy, que porra é essa?". Foi com essa pergunta que acordei hoje. Ainda meio tonto de sono, abri meus olhos e avistei Laurie encostada na porta. Laurie e seu cigarro. "Pára de fumar, porra", foi o meu bom dia. E ela riu. Ela sempre ri. "Não seja babaca. Não é porque você não aguenta um porrezinho de nada, que eu não vou aguentar cigarros". Laurie sempre esfregou isso na minha cara. Vaca. Amo essa mulher, mas ela me sacaneia demais. Nunca entendi bem a relação bebida/cigarros, então sempre fico na minha. "Mas, sério agora, que merda é essa?" Notei que ela segurava um jornal com a outra mão. "O quê? Manda isso pra cá" Peguei o jornal no ar e o ajeitei, para ler. Na primeira página, a manchete "Poderoso dono de emissora de TV preso por aliciamento de menores". Puta que pariu, pai. Mamãe morre e você alopra?! Levantei de um só pulo, assustado. "Cê tá brincando comigo, né? Cacete...Preciso de um café" Fui à cozinha, e lá estava o casalzinho, no maior amasso. "Ãh.. Bom dia pra vocês também" "Cara, que porra deu no seu velho? Sério, ele não era assim.." "Não sei, cara. Não sei.." E eu não sei mesmo. Sentei pra tomar meu café, enquanto lia a reportagem. Meu pai, o cara mais poderoso do país no ramo do entretenimento, preso em flagrante com uma adolescente nua no quarto. Ele não era assim, ele não era assim.. "Puseram algo na minha bebida, colocaram aquela menina no meu quarto!", dizia a nota, como uma citação de papai. Todos se dizem inocentes, claro. Mas.. é meu pai. Eu... "Eu tenho que conversar com o velho. Vão ter que me deixar conversar com o velho". "Tommy, não. Ele é super poderoso, já não é o primeiro escândalo..." "Mas é o primeiro que ele nega dessa forma. Tem alguma coisa muito errada, e preciso saber o que é" "Bebeu de novo, cara?" "Não, porra, tô falando sério, tem alguma armação" "E desde quando você se importou com isso? Onde foi parar 'Foda-se a tv, vou escrever', aquele seu lema idiota?" Vou fingir que você não me sacaneou dessa vez, Laurie. "Tô cagando pra tv, quero mais é que aquilo acabe. Mas, desde que mamãe morreu, o velho tá louco.. Tem alguém se aproveitando disso. É meu pai, cacete". Eu preciso sair do apartamento, ver o velho. Não sei, mas tenho um péssimo pressentimen... Puta que pariu, arrombaram a porta. 3 caras uniformizados e armados, gritando "pro chão, pro chão!" e eu acho que só eu fiz o que foi pedido. Paul desmaiou, Kelly correu pro quarto e Laurie permaneceu em pé, com a cara mais raivosa que já vi na vida. Ela amava aquela porta. "Pro chão!", um dos uniformizados repetiu. E nada. Caralho, Laurie, se você morrer aqui na minha frente, eu te mato. "Pro chão!", eu ouvi de novo. Só agora era uma voz feminina. Uma voz familiar. E Laurie disse exatamente o que eu estava pensando - Ela adorava fazer isso - : "Que porra é essa, Kelly!?" "Pro chão, Riquinha, pro chão!", dizia a loira com um revólver, namorada de meu amigo. Ou pseudo namorada. Tão típico do Paul, se meter em merda.. Foi isso o que nos aproximou, no passado, a habilidade de fazer besteira. E Laurie obedeceu. "A gente tem que levar o cara, só o cara, deixa a bonitinha aí.." "Não, eu quero matá-la", falou a recém descoberta psicopata. Se Laurie morrer, eu a mato, e depois mato você, Kelly. "Nada de sangue, caralho. Vamos, vamos levar o cara logo". E aí eu tomei uma porrada muito forte na cabeça. Não sei quanto tempo depois, despertei, da mesma forma que despertei no dia. "Tommy? Onde.. Onde a gente tá?" Algemado, eu estou algemado. Na minha frente, Laurie na mesma situação. Entre nós, Paul, ainda apagado. Não sei quem é essa gente, mas tenho uma certeza: Só tem filho da puta aqui.

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