domingo, 25 de setembro de 2016

Nunca teve um nome. Continuará a não ter - Parte 3

Para ISSO, eu não estava preparado, pensando melhor. Uma grande mesa, e sentados ao redor dela, algumas figuras um tanto.. esquisitas. Mais esquisitas ainda por sorrirem, quando entrei na sala. Em uma das pontas, um homem pálido me manda tomar um assento. Reconheci-o na hora. Carlo Andretti, chefe da máfia italiana. Me sento, e olho ao redor. Todas aquelas figuras esquisitas olhando pra mim. Um cara com uma cara peluda, uma mulher com um parafuso na cabeça, um outro cara, que tentava colocar um OLHO caído no lugar (andar de moto em alta velocidade, ver uma mulher enfiar a faca na barriga, e ver um cara com um olho fora do lugar, depois de estar numa pizzaria, não é legal), e outras figuras que preferi não encarar, pra não vomitar naquela mesa. Até que vi a coisa mais chocante dos últimos minutos. Um homem.. normal. Jovem. Bem vestido. Devia ser rico. "Daniel Grimes", ele disse, estendendo a mão para mim. Apertei-a, cauteloso. Sei lá, vai que o cara tem o poder de dar choque ao tocar em alguém. O homem pálido na ponta da mesa, Andretti, falou. "Dorian, não seja falso". Dorian? Tipo... "Não me chame por esse nome. Eu não sou aquela bichona dos livros, embora tenha sido, claramente, inspirado em mim". Todos na mesa riram. E, eu também. Nunca fui muito chegado à literatura, mas conhecia algumas coisas. "O Retrato de Dorian Gray". Realmente, uma bichona. Mas, de repente, parei de rir. Então, essas criaturas da literatura são reais? Que merda. Porque o efeito da maconha não acaba logo, hein?. Andretti voltou a falar. "Bom, Sr. Nichols, Steve, creio que esteja se perguntando o porquê de estar aqui, esta noite". Óbvio, branquelão. "Pois então.. como vê, a maioria de nós não pode sair por aí, simplesmente, e viver como se fosse alguém normal. Tem sido assim por séculos. Mas temos nossos serviçais para nos auxiliarem, claro. O.. problema, com o senhor, é outro, senhor Nichols. Estamos nos aproximando de uma época que, bem, vai nos exterminar. E, nós, claro, não queremos isso. E, bem, precisamos de uma série de artefatos, para evitarmos nossas mortes. E só uma criatura pode trazê-los para nós, Sr. Nichols.. Você." Ah, que maravilha. Sempre assim. Os chefões fodões botam os paspalhos pra fazerem as merdas, e foda-se se eles morrem, não é? "Mas... porque logo eu?", perguntei. "Antigos escritos dizem que apenas um descendente de Lord Drácula pode tocar nesses artefatos". "Mas, peraí, achei que vocÊ fosse o..." "Não, idiota, não sou Drácula. Ele pereceu há séculos atrás, consequência de ter gerado uma criança com uma mortal. Eu sou um meio irmão dele". Isso explica muita coisa, como, por exemplo, este vampiro na minha frente se chamar "Andretti". "Então.. eu sou um descendente de Drácula?". "Sim, é. Por isso está aqui, esta noite. Precisamos que parta em uma viagem pelo mundo, em busca dos artefatos. Roxanne irá convosco'. Muito legal, isso. "Convosco". Gostei. Me deixa mais importante. Roxanne, a gostosa, vai comigo... Hum... Boa oportunidade pra... Mas... "E.. se eu me recusar, Carlo?". O vampiro doidão fechou a cara. Talvez por eu tê-lo chamado de Carlo. Eu me sentiria ofendido, também, no lugar dele, com um nome desses. O homem com rosto peludo, que estava ao meu lado, saca uma arma, e a coloca na minha cabeça. Andretti se vira pra mim, ameaçador. "Pelo que me lembro, Sr. Nichols, o senhor trabalha pra mim... Não trabalha?". O homem deu um sorriso. Mas não um sorriso bom. Oops, acho que estou numa enrascada.

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