Para ISSO, eu não
estava preparado, pensando melhor. Uma grande mesa, e sentados ao
redor dela, algumas figuras um tanto.. esquisitas. Mais esquisitas
ainda por sorrirem, quando entrei na sala. Em uma das pontas, um
homem pálido me manda tomar um assento. Reconheci-o na hora. Carlo
Andretti, chefe da máfia italiana. Me sento, e olho ao redor. Todas
aquelas figuras esquisitas olhando pra mim. Um cara com uma cara
peluda, uma mulher com um parafuso na cabeça, um outro cara, que
tentava colocar um OLHO caído no lugar (andar de moto em alta
velocidade, ver uma mulher enfiar a faca na barriga, e ver um cara
com um olho fora do lugar, depois de estar numa pizzaria, não é
legal), e outras figuras que preferi não encarar, pra não vomitar
naquela mesa. Até que vi a coisa mais chocante dos últimos minutos.
Um homem.. normal. Jovem. Bem vestido. Devia ser rico. "Daniel
Grimes", ele disse, estendendo a mão para mim. Apertei-a,
cauteloso. Sei lá, vai que o cara tem o poder de dar choque ao tocar
em alguém. O homem pálido na ponta da mesa, Andretti, falou.
"Dorian, não seja falso". Dorian? Tipo... "Não me
chame por esse nome. Eu não sou aquela bichona dos livros, embora
tenha sido, claramente, inspirado em mim". Todos na mesa riram.
E, eu também. Nunca fui muito chegado à literatura, mas conhecia
algumas coisas. "O Retrato de Dorian Gray". Realmente, uma
bichona. Mas, de repente, parei de rir. Então, essas criaturas da
literatura são reais? Que merda. Porque o efeito da maconha não
acaba logo, hein?. Andretti voltou a falar. "Bom, Sr. Nichols,
Steve, creio que esteja se perguntando o porquê de estar aqui, esta
noite". Óbvio, branquelão. "Pois então.. como vê, a
maioria de nós não pode sair por aí, simplesmente, e viver como se
fosse alguém normal. Tem sido assim por séculos. Mas temos nossos
serviçais para nos auxiliarem, claro. O.. problema, com o senhor, é
outro, senhor Nichols. Estamos nos aproximando de uma época que,
bem, vai nos exterminar. E, nós, claro, não queremos isso. E, bem,
precisamos de uma série de artefatos, para evitarmos nossas mortes.
E só uma criatura pode trazê-los para nós, Sr. Nichols.. Você."
Ah, que maravilha. Sempre assim. Os chefões fodões botam os
paspalhos pra fazerem as merdas, e foda-se se eles morrem, não é?
"Mas... porque logo eu?", perguntei. "Antigos escritos
dizem que apenas um descendente de Lord Drácula pode tocar nesses
artefatos". "Mas, peraí, achei que vocÊ fosse o..."
"Não, idiota, não sou Drácula. Ele pereceu há séculos
atrás, consequência de ter gerado uma criança com uma mortal. Eu
sou um meio irmão dele". Isso explica muita coisa, como, por
exemplo, este vampiro na minha frente se chamar "Andretti".
"Então.. eu sou um descendente de Drácula?". "Sim,
é. Por isso está aqui, esta noite. Precisamos que parta em uma
viagem pelo mundo, em busca dos artefatos. Roxanne irá convosco'.
Muito legal, isso. "Convosco". Gostei. Me deixa mais
importante. Roxanne, a gostosa, vai comigo... Hum... Boa oportunidade
pra... Mas... "E.. se eu me recusar, Carlo?". O vampiro
doidão fechou a cara. Talvez por eu tê-lo chamado de Carlo. Eu me
sentiria ofendido, também, no lugar dele, com um nome desses. O
homem com rosto peludo, que estava ao meu lado, saca uma arma, e a
coloca na minha cabeça. Andretti se vira pra mim, ameaçador. "Pelo
que me lembro, Sr. Nichols, o senhor trabalha pra mim... Não
trabalha?". O homem deu um sorriso. Mas não um sorriso bom.
Oops, acho que estou numa enrascada.
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