Naquele momento, eu não entendia mais nada. E nem
queria entender. Só queria ver minha família, resgatá-los. Mas o
velho, como todos os velhos, gostava de falar, contar histórias. Eu
já estava puto, mas tive que ouví-lo. "Vincent, Vincent... Sua
mulher e seu filho estão bem, fique tranquilo. Estão comigo. Ora,
você não achou realmente que seu velho tio aqui iria fazer mal a
eles, né? Claro que não. Só quis te dar um pequeno susto, para
trazê-lo até aqui. Eu sabia que você vinha. Até mesmo pela sua
mulher, apesar de boatos por aí darem conta de que você
apaixonou-se por uma atraente jovem. Ah, a propósito, ela está
comigo, também. Charlie a trouxe. Ele possui habilidade semelhante a
habilidade daquele pequeno verme que veio com você. Deu trabalho,
aquele molequinho. Tive que fazer algo que não queria. Matei a
criança. Uma pena. Ele era tão... talentoso. Ah, sim, talentoso,
assim como seu pai era. O mais talentoso da família. O mais feliz. O
mais tudo. E, naturalmente, o escolhido para ir em busca do Paraíso.
Sim, eu estou com inveja. Não nego. Me processe, se quiser".
Monstro. Maldito. Havia acabado de arrancar a cabeça de uma criança,
e ria. Eu sempre tive nojo dele, mas agora estava pior. "Ora,
Vincent... ria um pouco, meu rapaz. Se alie a mim. Você está
destinado a liderar aquele lugar. Isso eu não posso mudar. Mas, por
favor, se alie a mim. Permita minha entrada lá". "Nunca",
respondi. "Ah, é? Nunca? Vamos ver se com um empurrãozinho
você muda de ideia... Guardas, tragam os prisioneiros". Homens
uniformizados surgiram, trazendo minha esposa, meu filho e Cindy,
amarrados e machucados. "Vai colaborar, Vince?", ele
perguntou. Respondi negativamente, e ele, em segundos, atirou na
cabeça de Cindy. Ela agora jazia morta no chão. Filho da puta. "E
agora, com sua jovem amada morta, vai me ajudar?". Novamente
respondi que não. Ele não podia ser louco a ponto de matar mais
alguém. Mas, me enganei. Ele era. Atirou em minha esposa, também na
cabeça. As duas mulheres que amei na vida, mortas. Filho da puta. "E
agora? Última chance... o tempo está se esgotando, o cerco se
apertando, e, se você não colaborar...." "Eu vou
colaborar, tio. Mas, antes, preciso de um momento com meu filho."
Ele não poderia me negar isso. E não negou. "Está bem... se
assim deseja, assim será, Vincent, líder do Paraíso. Eu nunca mato
crianças".
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