domingo, 25 de setembro de 2016

Nunca Confie em Agências de Espionagem - Parte 4

"Então, a sua avó está env..." "Não, ela morreu. Há 10 anos. Desde então, essa casa esteve vazia..." Merda. De todos os lugares que poderiam me manter preso, ao redor do mundo, porquê me trouxeram pra casa da minha avó? E, mais precisamente, pro meu antigo quarto? Tem um significado escondido nisso, certeza. Pena que ainda não descobri. "Então... Qual a razão de estarmos aqui?", Paul perguntou, depois de terminar de vomitar. Paul é realmente um idiota. Um maricas idiota. "Não sei, cara... Não sei". Não sei se foi o forte odor de vômito, se eu ainda estava fraco, ou se levei uma pancada... Do ar, mas eu apaguei. Acordei, e estava sendo carregado pra fora da casa. Pelo menos foi o que deu a entender, depois que fui posto sentado e ouvi barulhos de motor, que deram a partida, comigo dentro. Que tipo de pessoa cobre o rosto de alguém desacordado? Tinha que dar um aviso, antes. Os sequestradores não tem nenhum livrinho de regras, não? Aí eu apaguei de novo. Quando voltei a acordar, estava sem máscara. Amarrado a uma cadeira. Sozinho. No que parecia ser... Um escritório. Silêncio total, enquanto eu tentava me acostumar com a luz do sol que invadia a sala pelo grande vidro que exibia a paisagem. Apenas telhados de arranha-céus. Mas, é, era um dia bonito. Sei reconhecê-los, embora não consiga apreciá-los. Nem tentei me soltar da cadeira. Só ia me foder mais. Ainda não quero levar um tiro na testa. Quem sabe depois, mas agora, não, definitivamente. Barulho de porta se abrindo, atrás de mim. Eu poderia virar meu rosto e encarar a pessoa, mas, infelizmente, não sou a menininha do Exorcista. Ou felizmente, sei lá. Mas não demorou muito para que minha curiosidade fosse aliviada. Diante de mim, um homem alto, elegante, por volta de seus 40, 50 anos, com um grande sorriso. Meio assustador. Psicopata. Estranho. Estou com medo dele. Ainda mais por já conhecê-lo. Mark Campbell, ex discípulo de meu pai, atual dono da principal concorrente. Mais um filho da puta. "Ora, ora... Que gentileza a sua, me visitar, pequeno Thomas..." Pequeno Thomas. 20 anos de diferença não é quase nada hoje em dia, coroa. Ou talvez seja. É legal chamá-lo de coroa. "Cadê a Laurie? Cadê o Paul? O quê você fez com eles, Mark? O quê você pretende fazer com meu pai?!" E o sorriso sumiu. Também, com tantas perguntas... Devo dar um tempo pra ele raciocinar. "Acalme-se, garoto. Seus amigos estão conosco" Filho da p... "Estão bem. Nós fomos resgatar vocês. Thomas... Ora, Thomas... Somos amigos, garoto!" Não sei se acredito, mas devo reconhecer que Campbell sempre teve respeito pelo velho. Não sei se ele armaria algo assim. Ele não tem esse poder todo, afinal. "Você tem ideia do que iam fazer a você e a seus amigos, garoto?! Iam Esquartejá-los! É... Já estavam preparando os cães para se alimentarem de seus restos. Escute, Tom, essa... Isso tudo que está acontecendo, eu ainda... Nós ainda não sabemos o que é, quem são essas pessoas, mas meu pessoal já está cuidando disso. Alguns dos sequestradores, aqueles que não morreram em confronto, estão presos aqui. Você sabe, minha empresa não é só de entretenimento, temos acordos com o governo... Como seu pai tinha, antes de... Agora não interessa. Os agentes estão interrogando os prisioneiros, tentando arrancar informações deles... Espero ter logo as respostas. Tenho algumas teorias, mas devo receber a confirmação de certas coisas, antes, para me assegurar disso. Aliás, Thomas, não leve a mal a cadeira. Eu entendo que você não gosta de mim nem um pouco, como iria parar pra me ouvir? Deus, se você estivesse solto quando entrei na sala... Ha ha! Agora, deixe isso pra lá, garoto. Você e seus amigos estão seguros aqui na base" Na base. Quem diria... No meio da cidade, um prédio desses, é uma das bases secretas do governo... E quem diria também que eu iria ser salvo por um fanfarrão como Mark Campbell. Ainda não sei se devo acreditar em suas palavras.

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