domingo, 25 de setembro de 2016

A Máfia Não Tem Graça - Parte 5

"Cara, que merda foi aquilo?", Carl perguntou a mim, ainda com o rosto assustado - e meio contrariado -, tentando quebrar o gelo, alguns minutos depois. Já estávamos bem perto de sua casa. "Não sei", me limitei a responder, evitando olhá-lo. O filho da puta roubou a minha namorada, eu acabei de salvar sua vida, e não recebi um "obrigado" - ou a mulher de volta -? Ah, vá tomar no cu. Estacionei o carro em frente à sua casa, e Ginny, que provavelmente aguardava nossa chegada olhando pela janela, saiu correndo e pulou nos braços do marido, quando este saiu do carro. Ah, que ótimo. O casal, se abraçando e se beijando, na minha frente. Peraí, eu estou de carro, talvez se.. Meus pensamentos foram interrompidos por uma doce voz "Phil..". Era Ginny, abrindo a porta do carro do meu lado. Seria a hora de um 'revival'? Mas, o marido dela tá ali.. ".. QUE MERDA FOI ESSA?!", ela gritou, me arrastando pra fora do automóvel. Meu Deus, essa mulher tá forte demais. Ou talvez eu que esteja fraco. Enfim, a cabeçada no chão doeu. É, no chão. E ela começou a me chutar, repetindo a pergunta anterior. Será que é tarde pra acordar os capangas do mafioso? "PÁRA, PORRA!", e não adiantou. Os chutes só cessaram quando Carl a segurou pelos braços. Agora ele que havia me salvado. Mas foda-se, vou devolver a falta de agradecimento. Consegui me levantar, com muita dificuldade, afinal, estava todo arrebentado. E sorri para Ginny. E fiz uma piadinha. "Seu marido taí, Gin, controle-se nesse seu amor por mim". Agora eu me pergunto: Qual é a porra do meu problema?! Mas, para minha surpresa, Carl riu, e ela também. "Quer entrar pra tomar um cafézinho?" "Ãh.. é.. Não, melhor não, vocês precisam.. precisam descansar", respondi. "Deixa de babaqui.." "EU preciso descansar, porra". Acho que eles ficaram meio chateados, mas foda-se. Ninguém mandou não agradecerem. Essa noite foi longa, longa demais.. Preciso recuperar minhas energias. Não sei, mas essa situação me deu algumas ideias.. Talvez eu deva escrever coisas diferentes, tentar voltar aos livros.. Mas, por enquanto, vou saborear o meu querido café da madrug.. Abri os olhos, tonto, só pra variar um pouco. Minha vista completamente embaçada, mas, pelo pouco que consigo ver, não parece em nada com meu apartamento quarto-cozinha-banheiro-tudo misturado. Onde caralhos eu estou? Bom.. Desta vez, dispensaram o saco na cabeça, para a minha alegria. "Olá, jovem Phil"... Eu já disse o quanto odeio café?

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