Fui à reunião com o
tal líder daquele local. Foi um alívio sair daquele quarto depois
de duas semanas. Poderia ver a luz que vinha lá de fora, ver
pessoas, tudo. Mas, esse meu pensamento foi até o momento em que fui
vendado. Uma voz masculina disse que "eu não estava ainda
preparado para usufruir do local". Como não conseguia enxergar
onde estava o nariz do imbecil, para quebrá-lo, fiquei na minha. Fui
conduzido por um tempo que pareceu durar mais do que realmente durou.
Depois, houve uma parada, e recebi autorização para retirar de meus
olhos o que repelia minha visão. Ao terminar de retirar, continuei
não vendo nada. Eu estava numa sala escura, no breu absoluto. Ouvi
um estalar de dedos, e, de repente, as luzes começaram a surgir.
Olhei ao redor da sala, maravilhado. Vários equipamentos de última
geração, obras de arte caríssimas espalhadas pela sala, tudo
tão...lindo. Tão...brilhante. Finalmente, olhei para minha frente,
e lá, sentado numa poltrona, fixamente olhando para mim, havia um
velho. Sim, um velho. Bem velho mesmo, beirando os 90 anos, talvez.
Ele fez sinal para que eu sentasse na poltrona ao lado da dele, e
assim o fiz, sem dizer uma palavra. Ao me sentar, ele começou. "Bem
vindo, Sr. Carlson...perdoe-me a falta de educação, perdoe-me não
poder me aproximar para um bom aperto de mãos, mas, entenda, sou um
homem velho, cansado. Devo sossegar um pouco, ainda mais depois de
ter passado de uma boa aventura. Mas não é hora para essa história.
Hoje não. Estou aqui agora para esclarecer algumas dúvidas
suas". Agora que eu estava podendo ver o homem mais de perto,
achei seu rosto familiar. Eu lembro de tê-lo visto, quando mais
jovem. Mas não conseguia lembrar seu nome. "Primeiro de tudo.
Quem sou? Ora, não se lembra? Ou apenas herdou o defeito de seu pai
em lembrar nomes? Ah, sim, conheci seu pai...aquele velho sacana. Nos
deixou, uma pena. Nos deixou." O velho, sem dúvida, era um
tanto excêntrico. Ali, naquele momento, parecia que ele ia rir, mas,
ao mesmo tempo, chorar. Ele retomou a fala. "Pois bem..sou James
Monroe, Vincent. Escritor, assim como seu velho pai. Éramos amigos.
Melhores amigos, arrisco dizer. Crescemos juntos, entramos juntos
nesta organização, ele me ajudou a chegar no posto de líder. O
mínimo que eu poderia fazer pelo meu velho camarada era atender o
último desejo do homem. Agora, pegando um gancho nisso, creio que
você saiba qual foi este último desejo. Te trazer para cá, caso
ele estivesse morto quando encontrássemos este lugar. O jovem que te
trouxe te contou, aposto. Agora, mudando de assunto, voltando para
seu pai, nós temos inimigos. Membros expulsos daqui em outros tempos
se juntaram e montaram uma organização semelhante, cujo único
objetivo é destruir a nossa. E o que tem seu pai a ver com isso?
Bom, perdoe-me a forma com que contarei isso, assim, de repente, mas
achamos que ele foi assassinado por essa organização. Ele era meu
braço direito, eles iriam atacá-lo antes de mim. Desculpe, sei que
é difícil ouvir isto. Eu mesmo ainda não superei a morte do Rick.
Imagino você." E era verdade. Ainda não tinha superado a morte
do velho. "Você, Vincent Carlson, empresário bem sucedido,
morando conosco. É uma grande honra." Não soube na hora se
aquele velho havia sido ou não irônico, mas não importava. Eu só
queria respostas naquele momento. "Agora, creio que se pergunta:
Se seu pai estava ameaçado, todos aqui sabiam do desejo dele de te
trazer pra cá, e tínhamos - e ainda temos - espiões em nossa
organização, sua vida não deveria ser protegida? E foi, Vincent. E
foi. Mesmo que você não percebesse. Afinal, as pessoas que
asseguravam sua vida eram as mais improváveis. Aquele jovem que o
trouxe para cá, inclusive." O quê? Aquele bebê cagão?
Impossível. Eu me lembraria duma cara tão babaca. James, o velho,
mostrou-me uma foto. Antiga. Bem antiga. Eu ainda tinha cabelo. É,
eu estava na foto. Eu e a primeira boyband que empresariei. Foi
lamentável, aquele trabalho. Olhei atentamente para a foto e tomei
um susto. Lá estava aquele garoto. Mais garoto ainda, na foto. Ele
era o líder daquele conjunto. O líder bebê cagão.
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