Merda. Minha família em perigo e eu sem poder
mexer a porra dum dedo. E ninguém parece querer me ajudar nessa
droga de lugar. Mas, espera aí...uma outra passagem marcada no livro
de meu velho pai, dizia que Thomas, o personagem principal, viu o
estranho homem, chamado Vincent, sentado na frente de uma lápide,
murmurando coisas. E se ele estivesse conversando com alguém já
morto? E se esta fosse minha habilidade aqui? Falar com os
mortos...eu poderia falar com meu pai. Mas...como? Como chamá-lo?
"Não precisa me chamar. Eu estou aqui, Vince", disse uma
voz, um tanto distante. A voz de Rick Carlson, meu velho pai.
"P-pai?" "Claro, Vince. Quem mais você esperava?
Papai Noel? Bom, agora, falando sério...finalmente você percebeu
seu poder. E sua importância neste lugar, espero que tenha percebido
também. Ah...esse lindo lugar. Passei quase que minha vida inteira
procurando-o, mas a morte me levou para junto dela, antes que eu o
encontrasse. Mas você está aqui. E tem que ficar aqui. Você é
importante para este lugar, Vince. Importante para eles, embora ainda
não saiba." Eu, importante? Será que o velho não sabe o que
estão fazendo comigo? Será que não dá pra ele ver isso do
inferno? "Por isso, não se preocupe com sua mulher e com seu
filho, não se preocupe com nada lá em cima. O que está acontecendo
irá se resolver. Você tem que se preocupar com um perigo maior e
mais próximo. Há alguém aí que não é quem parece ser. Mas,
antes que você me pergunte, não posso dizer. Você tem que
descobrir sozinho. Descubra, e ajude o restante dos inocentes a
manterem o lugar, a fazê-lo prosperar. Pense no bem que isso causará
no mundo. Agora, vou deixar sua mente em paz, meu filho. Descanse, e
pense nisso. Em outra oportunidade, volto para mais um papo".
Parei de ouvir a voz do velho. Ele não falou nada com coisa alguma,
coisas que mal ouvi. Eu estou preocupado com minha mulher e com meu
filho. Preciso salvá-los. E sei exatamente o que devo fazer.
Eu já sabia exatamente o que fazer. Primeira coisa que passou pela minha cabeça. Algo tão... óbvio. Era este o problema. Óbvio demais. E, além disso, como eu farei isso? Estou preso aqui nesse maldito quarto de novo... No momento em que escrevi isto, a porta foi violentamente derrubada. Charlie, o Ogro. "Vem. o chefe quer ver você". Droga... Aconteceu alguma merda. Fui levado pelo gigantão até a cabana do líder, o velho James. Lá chegando, vi duas pessoas amarradas. Cindy e o velho. Mike, apontando um revólver pra cabeça do coroa. Filho da puta. "Ora, ora...Vincent Carlson...já estávamos sentindo sua falta em nossa festinha. Não se atrase mais. Charlie, amarra ele também". Fui amarrado e jogado ao lado dos outros dois. "Que surpresa, não? eu sou o traidor". "Surpresa alguma...você sempre foi um merda, moleque. Sem talento algum. Sempre na sombra dos outros", respondi. E era verdade. Ele sempre foi um merdinha. Sempre pensou só em chegar no status de líder. Mente fraca. "Vincent, poxa...depois de tantos anos, é assim que você me trata? Palavras machucam, sabia? Mas, quer saber? Vou resolver isso já, já...Charlie, desamarra a loira". Bichona. Além de cagão, é uma bichona. Já imaginava isso, também. Após Charlie ter desamarrado Cindy, Mike virou-se para ela. "Cindy, querida, vá até nosso querido amigo Vince e faça aquilo que faz de melhor. Vai lá... você já fez isso antes". Do que ele tava falando? O que ela havia feito antes? Mike respondeu logo em seguida. Deve ter lido minha mente, o desgraçado. " Vince, Vince, Vince... tolo Vince. Você acreditou mesmo nela? Se apaixonou por ela? Idiota. Ela não sente NADA por você. Isso faz parte da habilidade dela. Ela tem o poder de causar atração em todas as criaturas que toca, quando ela quer. Ela controla todos os seus movimentos, se quiser". Olhei para Cindy, buscando uma indicação de que não era verdade, tudo aquilo. Indicação que nunca veio. Era verdade. E ela chorava. A traidora chorava. "Bom, chega de lenga lenga... apenas o trouxe aqui por um desejo do velho. O último desejo dele é vê-lo. Vá, velho, diga o que tem a dizer". "Vincent, me perdoe... por tudo. Por seu pai, por tê-lo trazido até aqui, por sua família... me perdoe. Antes de ir encontrar-me com meu velho amigo no outro plano, tenho um recado dele para transmitir. Aquele velho era um gênio, parecia prever o futuro. Vincent... capítulo 27". Capítulo 27? Mas, no capítulo 27... claro, já estava tudo acertado. O velho sabia o que ia acontecer, e quando. E sabia exatamente o que ia acontecer a seguir. Mike, ainda apontando a arma para a cabeça de James, soltou uma risada doentia e sussurrou "Adeus, pai", antes de atirar no velho, que caiu morto instantaneamente. Filho da puta. Matou o próprio pai. Aparentemente, a confusão na cabana de James havia acordado a cidade inteira, e agora alguns já haviam conseguido entrar. No meio da confusão, Cindy havia conseguido se soltar das mãos de Charlie, e correu até mim. "Eu sei que você está com raiva de mim agora, mas, por favor, eu lhe juro, não usei o meu poder com você. Agora, vá. Corra daqui. Vá até a cabana mais distante. Lá está Leonard. Ele vai te tirar daqui. Eu amo você, Vincent Carlson". E ela me beijou. Se não fosse a confusão, o beijo teria sido mais longo. Mas havia sido suficiente, para a ocasião. Consegui me soltar das cordas e corri para fora daquela cabana, enquanto Mike e Charlie tentavam se livrar da multidão enfurecida. Meu pai estava certo. Ainda haviam inocentes ali. Corri, por uns 10 minutos, até encontrar uma cabana isolada. Arrombei a porta, acordando o garoto. Dificilmente ele iria me ajudar, mas resolvi tentar. "Ei, Lenny, preciso da sua ajuda. Preciso sair daqui, urgentemente. Sei que você pode me ajudar nisso. Por favor, eu preciso. Você pode vir comigo, se quiser. Sair desse buraco. Eu sei que você quer isso". claro que eu não sabia de nada, mas tinha que arriscar algo. Para minha sorte, o menino apenas respondeu "Claro que quero" e correu até o exterior de sua cabana. Segui-o, até que ele parou, uns 15 metros à frente da porta de entrada. "Aqui é suficiente. Vamos, rápido. Segure meu braço, Sr. Carlson". Fiz o que o garoto havia pedido e, num piscar de olhos, lá estava eu, ao lado de um garoto esquisito, no meio de uma floresta, à noite. Capítulo 27 do livro de meu pai. O velho Vincent e o garoto Thomas fugindo de captores, e, ao mesmo tempo, tentando salvar as vidas de habitantes de seu vilarejo.
Eu já sabia exatamente o que fazer. Primeira coisa que passou pela minha cabeça. Algo tão... óbvio. Era este o problema. Óbvio demais. E, além disso, como eu farei isso? Estou preso aqui nesse maldito quarto de novo... No momento em que escrevi isto, a porta foi violentamente derrubada. Charlie, o Ogro. "Vem. o chefe quer ver você". Droga... Aconteceu alguma merda. Fui levado pelo gigantão até a cabana do líder, o velho James. Lá chegando, vi duas pessoas amarradas. Cindy e o velho. Mike, apontando um revólver pra cabeça do coroa. Filho da puta. "Ora, ora...Vincent Carlson...já estávamos sentindo sua falta em nossa festinha. Não se atrase mais. Charlie, amarra ele também". Fui amarrado e jogado ao lado dos outros dois. "Que surpresa, não? eu sou o traidor". "Surpresa alguma...você sempre foi um merda, moleque. Sem talento algum. Sempre na sombra dos outros", respondi. E era verdade. Ele sempre foi um merdinha. Sempre pensou só em chegar no status de líder. Mente fraca. "Vincent, poxa...depois de tantos anos, é assim que você me trata? Palavras machucam, sabia? Mas, quer saber? Vou resolver isso já, já...Charlie, desamarra a loira". Bichona. Além de cagão, é uma bichona. Já imaginava isso, também. Após Charlie ter desamarrado Cindy, Mike virou-se para ela. "Cindy, querida, vá até nosso querido amigo Vince e faça aquilo que faz de melhor. Vai lá... você já fez isso antes". Do que ele tava falando? O que ela havia feito antes? Mike respondeu logo em seguida. Deve ter lido minha mente, o desgraçado. " Vince, Vince, Vince... tolo Vince. Você acreditou mesmo nela? Se apaixonou por ela? Idiota. Ela não sente NADA por você. Isso faz parte da habilidade dela. Ela tem o poder de causar atração em todas as criaturas que toca, quando ela quer. Ela controla todos os seus movimentos, se quiser". Olhei para Cindy, buscando uma indicação de que não era verdade, tudo aquilo. Indicação que nunca veio. Era verdade. E ela chorava. A traidora chorava. "Bom, chega de lenga lenga... apenas o trouxe aqui por um desejo do velho. O último desejo dele é vê-lo. Vá, velho, diga o que tem a dizer". "Vincent, me perdoe... por tudo. Por seu pai, por tê-lo trazido até aqui, por sua família... me perdoe. Antes de ir encontrar-me com meu velho amigo no outro plano, tenho um recado dele para transmitir. Aquele velho era um gênio, parecia prever o futuro. Vincent... capítulo 27". Capítulo 27? Mas, no capítulo 27... claro, já estava tudo acertado. O velho sabia o que ia acontecer, e quando. E sabia exatamente o que ia acontecer a seguir. Mike, ainda apontando a arma para a cabeça de James, soltou uma risada doentia e sussurrou "Adeus, pai", antes de atirar no velho, que caiu morto instantaneamente. Filho da puta. Matou o próprio pai. Aparentemente, a confusão na cabana de James havia acordado a cidade inteira, e agora alguns já haviam conseguido entrar. No meio da confusão, Cindy havia conseguido se soltar das mãos de Charlie, e correu até mim. "Eu sei que você está com raiva de mim agora, mas, por favor, eu lhe juro, não usei o meu poder com você. Agora, vá. Corra daqui. Vá até a cabana mais distante. Lá está Leonard. Ele vai te tirar daqui. Eu amo você, Vincent Carlson". E ela me beijou. Se não fosse a confusão, o beijo teria sido mais longo. Mas havia sido suficiente, para a ocasião. Consegui me soltar das cordas e corri para fora daquela cabana, enquanto Mike e Charlie tentavam se livrar da multidão enfurecida. Meu pai estava certo. Ainda haviam inocentes ali. Corri, por uns 10 minutos, até encontrar uma cabana isolada. Arrombei a porta, acordando o garoto. Dificilmente ele iria me ajudar, mas resolvi tentar. "Ei, Lenny, preciso da sua ajuda. Preciso sair daqui, urgentemente. Sei que você pode me ajudar nisso. Por favor, eu preciso. Você pode vir comigo, se quiser. Sair desse buraco. Eu sei que você quer isso". claro que eu não sabia de nada, mas tinha que arriscar algo. Para minha sorte, o menino apenas respondeu "Claro que quero" e correu até o exterior de sua cabana. Segui-o, até que ele parou, uns 15 metros à frente da porta de entrada. "Aqui é suficiente. Vamos, rápido. Segure meu braço, Sr. Carlson". Fiz o que o garoto havia pedido e, num piscar de olhos, lá estava eu, ao lado de um garoto esquisito, no meio de uma floresta, à noite. Capítulo 27 do livro de meu pai. O velho Vincent e o garoto Thomas fugindo de captores, e, ao mesmo tempo, tentando salvar as vidas de habitantes de seu vilarejo.
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